As gravuras de Goeldi em Londres

Pela primeira vez é apresentada em Londres uma exposição individual do artista brasileiro Oswaldo Goedi (1895-1961), um dos maiores mestres da gravura. A Galeria 32, anexa à embaixada do Brasil no Reino Unido, expõe um conjunto de obras gráficas de Goeldi procedentes da coleção do artista suíço Hermann Kümmerly (1897-1964), amigo do gravador brasileiro. Entre 1910 e 1940, Goeldi presenteou o suíço com 157 desenhos e gravuras, mas esse acervo foi adquirido há anos pelo colecionador brasileiro Raul Schmidt Felippe Jr.

Efe, O Estado de S.Paulo

17 Abril 2011 | 00h00

A mostra, com curadoria do carioca Paulo Venancio Filho, apresenta uma seleção de 22 gravuras dentre as mais de 200 colecionadas por Schmidt. Inaugurada na quinta-feira, ficará em cartaz na capital inglesa até 13 de maio. A exposição foi realizada, segundo o colecionador e o curador, para difundir no exterior a obra de Goeldi.

O Brasil que aparece nas obras do gravador, filho do naturalista suíço Emilio Goeldi, está muito distanciado da ideia de um país tropical, alegre e solar. O mundo de suas gravuras e desenhos é formado por personagens solitários em ruas silenciosas - universo que para o espectador pode parecer inquietante. Na maioria das vezes, o artista coloca em seus trabalhos cenas noturnas nos subúrbios das cidades, pobremente iluminados. As figuras ou estão sozinhas ou acompanhadas e algum cachorro. É um mundo em preto e branco, às vezes com alguma marca vermelha, onde casas parecem observar desde suas janelas iluminadas a quem transita por aquelas ruas desertas.

Filho do naturalista suíço Emilio Goeldi, Oswaldo Goeldi, nascido no Rio de Janeiro, mas que viveu alguns anos de sua infância no Pará, teve sua formação na Suíça. Em 1917, tornou-se amigo do artista suíço Hermann Kümmerly e na ocasião produziu litografias no seu ateliê em Berna. Em 1919, ele voltou ao Brasil. Na primeira Bienal de São Paulo, em 1951, ele recebeu o primeiro prêmio de gravura. Além disso, foi professor da Escola de Belas Artes do Rio.

Paulo Venancio e o colecionador Schmidt Felippe querem ainda apresentar a mostra de Goeldi em outras cidades europeias, como Berna e Berlim.

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