'As Estrelas Cadentes': relatos infantis sobre guerras

Guerras são aquilo a que assistimos pela televisão. Acontecem em países distantes, em rincões da Europa ou do Oriente. "O que elas, afinal, têm a ver com a gente?", indaga o diretor Nelson Baskerville. "E qual é a nossa guerra?"

AE, Agência Estado

28 Fevereiro 2013 | 09h49

No espetáculo As Estrelas Cadentes do Meu Céu São Feitas de Bombas do Inimigo, em cartaz no Sesc Consolação, o encenador conduz a Cia. Provisório-Definitivo em uma investigação sobre o tema. Traz uma série de episódios bélicos - da Primeira Guerra Mundial aos conflitos do tráfico em São Paulo. Sempre filtrados pelo olhar infantil.

Ao eleger crianças, diz Baskerville, "a ideia era encontrar um olhar menos viciado, menos apático do que o nosso. Como uma tentativa de voltar no tempo, de retomar certa simplicidade perdida." A dramaturgia foi construída a partir de um clássico absoluto do gênero: O Diário de Anne Frank. Escrito entre 1942 e 1944, o livro traz as memórias de uma menina judia que se escondeu com a família na Amsterdã ocupada pelos nazistas. A esse título se somou um outro, mais recente. Lançado em 2008, Vozes Roubadas - Diários de Guerra é um compêndio de relatos de jovens vítimas de conflitos armados.

Tudo o que vai à cena, ou quase tudo, baseia-se em fatos verídicos. A realidade tem o condão de embasar o enredo. Mas é com tintas fantasiosas que se recobre a encenação. Como se tudo se passasse fora do mundo. Crianças mortas retornam como fantasmas para relatar o passado. Estão em algum lugar em que os adultos são monstros. Onde o chão, forrado de estopa branca, tem a aparência de nuvem ou neve. Onde todos os objetos são feitos de papelão, como em uma brincadeira infantil. "Para tratar daquilo que é verdade, decidi ir para o território da mentira, do sonho", diz o diretor.

Criações anteriores de Baskerville enveredaram por caminho semelhante. Tanto em Por que a Criança Cozinha na Polenta (2008) quanto em Luís Antônio - Gabriela (2011), ele buscava relatos biográficos. Mostrava crianças que foram verdadeiramente expostas à violência. Fugia, no entanto, da pretensão de construir quadros precisos ou realistas. Tanta similaridade nas propostas poderia sugerir uma pesquisa estética contínua. Mas não é disso que se trata, assegura o criador. "Não quero me prender a um estilo. O que me interessou agora foi a possibilidade de discutir esse assunto. De trazer a guerra sobre outra perspectiva."

AS ESTRELAS CADENTES DO MEU CÉU... Sesc Consolação. Rua Dr. Vila Nova, 245, 3234-3000 2ª e 3ª, 21h. R$ 10. Até 19/3.

As informações são do jornal O Estado de S.Paulo

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