As crianças que creem no mistério

Envolvidos com os problemas da vida cotidiana, os adultos tornam-se um pouco cegos. Deixam de crer no poder da imaginação, desprezam o sobrenatural. Do lado oposto, estão as crianças, ainda com olhos para ver os mistérios da vida. É um pouco esse o subtexto de 1001 Fantasmas, espetáculo infantil que a cia. O Grito apresenta a partir de amanhã no Teatro Alfa.

Maria Eugênia de Menezes, O Estado de S.Paulo

13 de agosto de 2010 | 00h00

Assim como em sua montagem anterior, o grupo parte de uma obra literária. Depois de transpor contos de Edgar Allan Poe para o palco, o coletivo do diretor Roberto Morettho agora se lança sobre o livro de um autor contemporâneo, neste caso a aventura homônima da escritora Heloisa Prieto.

A mover a trama está o dilema de um menino, Vitor, que se vê em apuros quando episódios estranhos começam a acontecer em sua casa.

Com temor de ser desacreditado pelos pais, ele decide recorrer a uma sociedade secreta, a 1001 Fantasmas, e passa a se corresponder com outras crianças que lhe apresentam um universo repleto de histórias inexplicáveis. "É uma peça que lança perguntas, sem trazer necessariamente respostas, e deixa no ar algumas questões, como a existência de universos paralelos ou de vida após a morte", comenta Morettho, que assina a dramaturgia ao lado do ator Alessandro Hernandez.

A dubiedade que permeia o enredo de 1001 Fantasmas também pauta a construção da proposta cênica da montagem. Em um jogo já característico nos trabalhos da cia. O Grito, a produção prescinde da coxia e expõe às crianças todos os mecanismos da teatralidade.

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