As cores de tulipa no verde do Ibirapuera

Cantora e compositora lança Efêmera, com participações de alguns amigos

Lauro Lisboa Garcia, O Estado de S.Paulo

28 de maio de 2010 | 00h00

O pop "florestal" e lúdico de Tulipa Ruiz, agora só Tulipa, finalmente chegou ao disco, depois de muito experimentado no palco e propagado na internet. Ao lado dos guitarristas Gustavo Ruiz e Luiz Chagas (que dão o tom da sonoridade de seu trabalho e são, respectivamente, irmão e pai dela), a cantora e compositora faz show de lançamento do ótimo Efêmera (Yb Music) no domingo, no Auditório Ibirapuera.

No cenário, ela pretende usar ilustrações de tulipas, que pediu a vários artistas (Ná Ozzetti, Edith Derdyck, Karina Buhr, Romulo Fróes, Tiê, Tatá Aeroplano, Érika Machado entre outros) que criasssem para o encarte do CD, ela que é desenhista de mão cheia e contou com participações de outra penca de amigos na parte musical do CD. Como Ná e Karina, em seus mais recentes trabalhos, Tulipa conseguiu transpor com precisão para as gravações a fluência com que interpreta esse repertório nos shows. Como Karina, ela também passou pelo Teatro Oficina, daí a desenvoltura no palco.

Não é novidade que Tulipa começou a fazer música sem pretensão de se profissionalizar. Agora, é notável o acabamento de suas canções - algumas delas assinadas com o irmão, que produziu o CD. Dona de voz afinadíssima e de timbre inconfundível, delicada sem afetação, Tulipa surpreende como melodista e autora de letras espertas, equilibrando experiências pessoais com personagens fictícios, observações da natureza e reflexões contemporâneas. As canções têm algo de retrô e uma leveza pop cativante.

"Congelo o tempo pra eu ficar devagarinho/ Com as coisas que eu gosto e que sei que são efêmeras", canta ela na faixa-título, um hit potencial, se ainda se tocasse música nova e decente com frequência nas rádios brasileiras. A música de Tulipa é da era do mp3 e já nasceu "fragmentada", como diz, relacionando o título de seu disco com a ideia de descartabilidade da música e das relações atuais.

Ela tomou Milton Nascimento (exemplar de originalidade da virada dos anos 1960 para os 70) como principal parâmetro para desenvolver seu trabalho. "O disco tem tudo a ver com o que passa pela minha vitrola e durante o processo fiquei muito a fim de chamar Milton para cantar uma música. Ao mesmo tempo que tem essa coisa superexplícita do tropicalismo, tem aquele coração mineiro", diz a cantora, que nasceu em Santos e passou parte da infância em Minas.

No CD e no palco, além do pai e do irmão, ela conta com os músicos Márcio Arantes , Duani, Stéphane San Juan, Dudu Tsuda e Donatinho. A cantora Mariana Aydar e o multiinstrumentista Marcelo Jeneci fazem participações especiais no show.

TULIPA

Auditório Ibirapuera. Av. Pedro Álvares Cabral, s/nº, portão 2, Parque do Ibirapuera, telefone 3629-1014. Domingo, 19 horas. R$ 30 e R$ 15

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