'As comédias não eram verdadeiras'

Ao 'Estado', Darren Star, escritor de 'Sex and The City', lembra o trunfo da série e diz que não sabe nada sobre um 3º filme

Clarice Cardoso, O Estado de S.Paulo

24 de fevereiro de 2014 | 02h10

Dez anos depois de ir ao ar o último episódio de Sex and the City (no dia 22 de fevereiro de 2004) ainda há os críticos que reduzem a série a um grupo de quatro amigas fúteis, ávidas por homens e sexo, rodeadas por moda, sapatos e coquetéis.

É claro que isso tudo está lá, mas é preciso saber ver as outras camadas. Ao trazer para a TV mulheres independentes, donas de suas vidas, suas emoções e seus corpos, Sex conseguiu fazer o retrato de uma geração que tomava não só Nova York, mas as grandes cidades.

"Quando criei a série, sentia que as comédias da época não eram muito verdadeiras, e queria fazer algo em que o público pudesse se reconhecer. Tinha a ambição de atravessar uma nova fronteira em termos do que estava no ar", conta o homem por trás de todo o programa, o showrunner Darren Star ao Estado, do Rio, onde participou do 2.º Programa Globosat de Roteiristas.

O sucesso não veio à toa, e a marca que deixou na cultura pop é inegável. Especialmente na televisiva, são inúmeras as cenas em que garotas até hoje referem-se a si mesmas tentando identificar em suas personalidades traços de Carrie, Samantha, Miranda ou Charlotte.

"Minha intenção nunca foi documentar como viviam as mulheres perto dos 30 anos na cidade de Nova York. Elas eram independentes, tinham carreiras de sucesso, e a principal prioridade de suas vidas não era se casar. Elas tentavam se encontrar e muitas faziam isso através dos homens com quem saíam. Era isso o que eu queria mostrar com honestidade", explicou. "Coincidentemente, eu era amigo de Candace Bushnell, que escrevia uma coluna de sexo para um jornal (o New York Observer, de 1994 a 1996, e que daria origem a uma antologia e a outros seis livros). Queria escrever algo verdadeiro e engraçado", continuou. Darren teve a sacada de perceber o potencial dos textos de Candance para a TV.

No marco de uma década desde a despedida, os fãs ainda procuram uma substituta para uma série como Sex and the City. Darren também. "Ninguém tinha feito um programa tão adulto naquela época. Cobrimos um território não explorado na televisão. Hoje há muito mais opções, não sei se algo como ela surgirá. Acho que o público respondeu bem à autenticidade do programa, que tratava, na verdade, das aspirações de um mundo urbanizado. Quem vivia aquela realidade, se identificava. Quem não vivia, aspirava a ela."

Fatos ou boatos? Desde então, outro livro de Candance, The Carrie Diaries, que se passa na adolescência da protagonista e, portanto, antes de Sex and the City, também virou série. Não tem nada da essência da principal.

Já a mais conhecida ganhou em sua carreira sete dos 54 Emmy a que concorreu e oito dos 24 Globos de Ouro aos quais foi indicada. Também foi o centro de dois filmes, que se passam numa época posterior ao episódio final. Nas últimas semanas, surgiram boatos de que um terceiro estaria sendo considerado. Darren interrompe o Estado para responder: "Não, não, não. Isso é só boato. Nunca ouvi nada de concreto a esse respeito."

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.