'As Centenárias' e '7 - O Musical' vencem o Prêmio Shell

Cerimônia de entrega do prêmio de teatro do Rio foi apresentada por José Wilker e homenageou Tônia Carrero

Roberta Pennafort, de O Estado de S. Paulo ,

11 de março de 2008 | 12h16

As Centenárias e 7 - O Musical sagraram-se grandes vencedoras do Prêmio Shell de Teatro do Rio - ganharam em três categorias cada uma. Este ano, a premiação, que completou duas décadas, homenageou a atriz Tônia Carrero e seus 60 anos de carreira. A cerimônia de entrega dos prêmios (um troféu na forma da concha-símbolo da empresa e R$ 8 mil) ocorreu na noite de segunda-feira, 10, na Casa França Brasil.  Veja também:Galeria dos vencedores do Prêmio Shell    As Centenárias, que narra as peripécias de duas divertidas carpideiras e trata de sua relação com a morte, levou os prêmios de melhor autor, para o festejado pernambucano Newton Moreno, melhor atriz, para Andréa Beltrão - que dedicou a láurea à "amiga, irmã e namorada Marieta Severo", parceira em cena e à frente do Teatro Poeira, e teceu loas ao "comandante Aderbal Freire-Filho" (o diretor) -, e melhor cenário, para Fernando Mello da Costa e Rostand Albuquerque. O grandioso conto de fadas 7 teve agraciados seu diretor, Charles Möeller, figurinista, Rita Murtinho, e iluminador, Paulo César Medeiros, também indicado por Sassaricando. "É muito complicado fazer musical. É muita gente, é muito dinheiro. Um musical não é feito sem a música, então eu dedico o prêmio a um grande compositor que resolveu parar tudo e compor para o teatro, que é o Ed Motta", disse Möeller ao receber seu troféu. Ed e Cláudio Botelho haviam sido indicados na categoria música, mas perderam para Paulo César Pinheiro e Luciana Rabello, por Besouro Cordão de Ouro. A eloqüente atuação em Eu Sou Minha Própria Mulher, em que encarna 20 personagens, rendeu a Edwin Luisi o Shell de melhor ator. Ele foi irreverente na hora dos agradecimentos. "Em improviso, sou pior que um certo presidente de um certo país", brincou, para depois falar do orgulho de fazer parte de uma classe "tão louca, tão quixotesca, que luta contra tantos moinhos de vento." Na mesma linha foi o discurso de Leonardo Franco, um dos ganhadores, junto à mulher, Claudia Lira, da chamada "categoria especial", na qual podem ser incluídos um roteiro ou a abertura do teatro, como foi seu caso. "Existe algo de heróico e bíblico ao se construir um teatro (o seu é Solar de Botafogo, no Rio, inaugurado há um ano)." O casal dividiu o prêmio com Rosa Maria Araújo e Sérgio Cabral, responsáveis pela incansável pesquisa de marchinhas de carnaval que norteou o roteiro de Sassaricando. Sentada junto à família e muito assediada pelos colegas, Tônia Carrero emocionou a todos ao se mostrar extremamente agradecida pela homenagem prestada pelo Prêmio Shell - a começar pelo apresentador, José Wilker, que ficou com a voz embargada ao relembrar sua dedicação ao teatro e a recebeu no palco de joelhos. "Ainda se lembram de mim!", suspirou Tônia. "Eu vou voltar a fazer teatro logo que puder. É no teatro que a gente encontra a verdadeira consagração que hoje eu estou recebendo."  A noite foi encerrada com uma frase lapidar de Wilker, que, segundo ele, lhe foi dita no início de sua carreira como ator: "Um país que não ama e não prestigia seu teatro, se não está morto, está moribundo."

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