ArtRio tenta atrair mais público e superar vendas da primeira edição

Feira começa nesta quarta, 12, e tem a participação de 60 galerias brasileiras e 60 estrangeiras

ROBERTA PENNAFORT - O Estado de S.Paulo,

12 de setembro de 2012 | 03h10

RIO - São duas as principais ambições da ArtRio, feira que será aberta nesta quarta-feira, 12, para convidados com a participação de 60 galerias brasileiras e 60 estrangeiras: uma de curto e outra de longo prazo. A primeira é vender bem, superando os números já surpreendentes da primeira edição, ano passado - a estimativa é de se bater R$ 150 milhões, contra R$ 120 milhões de 2011. A segunda é despertar o interesse pela arte num público mais amplo, o carioca comum, que não frequenta esse tipo de evento. O que se refletiria, pelas expectativas, num aumento na visitação de 46 mil para 60 mil pessoas, em quatro dias.

Para atingir o primeiro objetivo, os organizadores fizeram uma seleção criteriosa, que limou galerias candidatas de todo o Brasil e também de cidades como Paris e Nova York. Entre as que montaram seus estandes no Píer Mauá - dessa vez com área ampliada de 3.850 para 7.500 m² - estão a maior do mundo, a Gagosian, com sede em Nova York e presença em mais seis países, a londrina White Cube, e as mais relevantes do Brasil: Fortes Villaça (SP), Luisa Strina (SP), Silvia Cintra (RJ) e Anita Schwartz (RJ), entre outras.

Para chamar a atenção do não-iniciado, surgiu o portal www.artrio.art.br, com informações atualizadas sobre o setor e mantido não só durante a feira. O slogan é "O Rio é arte, o tempo todo, em toda parte". Para quem não é colecionador, a ideia que fica é a de que a ArtRio é uma enorme e múltipla exposição, que merece ser visitada (o ingresso é R$ 30). Para chamar atenção também para as sedes das galerias, foram montados percursos num ônibus especial, gratuito, que transitará até domingo por elas.

A grande expectativa é já pelo primeiro dia. É quando os convidados supervips são chamados a percorrer os galpões em horário privilegiado: das 11 às 14 horas, antes da abertura oficial. Dois mil convites do tipo foram distribuídos aqui e fora.

"São os grandes players desse mercado, os colecionadores que realmente importam, que são vips em todas as maiores feiras do mundo", conta Brenda Valansi, organizadora, com Elisangela Valadares e os sócios Luiz Calainho e Alexandre Accioly. "O primeiro dia tem essa expectativa enorme, define muita coisa. Ano passado o que aconteceu é que o primeiro dia foi um bombardeio que se manteve até o fim."

Na ocasião, os negócios fechados em 24 horas ficaram em torno de R$ 60 milhões, sendo que se esperava movimentar R$ 100 milhões em quatro dias. Os galeristas brasileiros se surpreenderam com a voracidade dos compradores; os vindos de longe se ressentiram um pouco do fato de a maior parte preferir comprar arte brasileira.

A Fortes Villaça não participou, por estar envolvida com feiras internacionais na mesma época. Já esse ano investiu num espaço de 120 m², o maior disponível. "Fazer uma feira dá muito trabalho, então é preciso ter certeza de que vale a pena", explicava ontem o diretor Alexandre Gabriel, que dará destaque a artistas brasileiros em alta, como Adriana Varejão, Beatriz Milhazes e Ernesto Neto, além dos estrangeiros Sarah Morris e Simon Evans.

Tarsila rara. Duas obras de Adriana são o carro-chefe da Almeida&Dale (SP). A tela Moreno, de Beatriz Milhazes, foi vendida antes mesmo de chegar à feira - custou "milhões", revela apenas a assistente da galeria Mônica Tachotte. Foi substituída por uma raríssima Tarsila do Amaral, A Feira III, de 1953. Recentemente, a tela, pela qual são pedidos R$ 8 milhões, esteve numa retrospectiva da pintora. O dono agora resolveu se desfazer dela.

Marcia Barrozo do Amaral vende exemplares de Frans Krajcberg de diversas épocas. Laura Marsiaj aposta em jovens, como Renata de Bonis e Alexande Mury. A ArtRio terá ainda Picasso, Miró, Andy Warhol, Portinari, Volpi e Hélio Oiticica.

São Paulo e Rio têm o mesmo número de representantes: 27. Para a mineira Celma Albuquerque, assim como para galerias de Porto Alegre, Curitiba e Recife, é crucial se fazer mais visível. "Viemos em 2011 e ficamos surpresos. O retorno institucional vale tanto quanto a venda", diz a diretora Flávia Alburquerque, que trouxe obras de Antonio Dias de 20 anos atrás, mas nunca vistas.

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