Fabio Motta/AE
Fabio Motta/AE

ArtRio supera as expectativas

Segunda edição da mostra ultrapassa os R$ 120 milhões de 2011 e recebe 74 mil visitantes

ROBERTA PENNAFORT - O Estado de S.Paulo,

18 de setembro de 2012 | 03h09

RIO - A exemplo do que faz a SP-Arte, a ArtRio, realizada entre a última quarta-feira e o domingo, não divulgou seu montante de vendas este ano: informou apenas que o público total foi de 74 mil pessoas, 14 mil a mais do que o que se esperava nesta segunda edição. A expectativa de se superar os R$ 120 milhões de 2011 foi batida, de acordo com os organizadores - até pelo aumento no número de galerias, de 83 para 120. Mas eles não quiseram revelar a cifra exata (isso porque as galerias internacionais não divulgam seus números).

Em termos de visitantes, a percepção de uma parte dos galeristas entrevistados pelo Estado é de que foi gente demais para comprador de menos. Mesmo em dia de praia, a feira tornou-se uma atraente opção de lazer de fim de semana para o carioca que não compra arte (por falta de interesse e/ou de dinheiro) e que foi ao Píer Mauá como quem visita um grande museu.

"Talvez seja o caso de se aumentar um pouco o valor do ingresso", sugeriu o galerista Ricardo de Gouveia Rego, da carioca Lurixs."As estratégias devem ser voltadas para atender aos interesses dos galeristas, e não pensando em fazer um evento para 70 mil pessoas. Acho legal ser um programa de fim de semana das pessoas, mas tem que se buscar a qualificação do público."

As galerias saíram satisfeitas; umas mais, outras, menos. Todas consideraram o movimento satisfatório, em especial na quarta, quando os galpões se abriram para os supervips três horas antes da cerimônia oficial de início da ArtRio, e na quinta, o primeiro dia de público pagante.

Com cinco minutos de feira, a Lurixs vendeu duas obras de Raul Mourão a vips europeus. A Fortes Vilaça no mesmo dia mandou vir de São Paulo um caminhão com mais itens: só na quarta tinha vendido 90% do que estava exposto, entre obras de Adriana Varejão, Ernesto Neto, Osgemeos, Jac Leirner e Luiz Zerbini.

"As expectativas foram totalmente superadas. Vendemos ao menos uma obra de cada um dos artistas que levamos", disse ontem Alexandre Gabriel, diretor da Fortes Vilaça. "É cedo para avaliar, mas acredito que a ArtRio vai seguir a trilha de sucesso da SP-Arte, que as duas vão conviver. Vamos ver se as galerias internacionais vão continuar."

A norte-americana Gagosian, a maior do mundo, no Rio pela primeira vez, sinalizou que deve retornar. "Ainda não discutimos, mas não vejo por que não virmos. Estamos muito felizes, foi só o começo", avaliou Victoria Gelfand-Magalhães, diretoria baseada em Nova York. "Os colecionadores estão muito interessados nos artistas estrangeiros. Fizemos vendas em diferentes níveis, acima de US$ 1 milhão, abaixo de US$ 1 milhão."

A Gagosian é uma das que não divulgam nada: quantos obras saíram, de quais artistas, a que valores. Mas na imprensa dos EUA circulou a informação de que tenha trazido o equivalente a US$ 130 milhões em Andy Warhols, Picassos e Damien Hirsts, entre outros nomes caríssimos. Antes de embarcar, Victoria havia dito por lá que não sabia se conseguiria vender peças de US$ 10 milhões ou mais. Só na quarta os negócios teriam superado US$ 5 milhões.

A berlinense Neugerriemschneider também aportou no Rio pela primeira vez, com obras de artistas mundialmente badalados, como o chinês Ai Weiwei. Planeja voltar. A percepção para os alemães é de que o mundo está cada vez menor, e a ida a feiras tão distantes quanto as do Rio, Miami e Hong Kong se paga. A norte-americana David Zwirner atendeu aos clientes do Brasil e de outros países latino-americanos. Vendeu artistas dos EUA, Europa e Japão.

Para as nacionais - 60 galerias, como foram 60 as estrangeiras -, os valores também foram animadores. Luisa Strina (SP) chegou perto de R$ 1 milhão já no segundo dia. Anita Schwartz (RJ) precisou repor obras quinta de manhã - vendera mais de R$ 1 milhão na quarta. "Clientes que frequentam a galeria esperaram para comprar na ArtRio, porque sabiam que traríamos novidades de artistas como Waltercio Caldas e Abraham Palatnik", contava Anita, a proprietária, pouco depois da abertura ao público, entre um Angelo Venosa e uma Carla Guagliardi já reservados a compradores de fora.

As críticas mais frequentemente ouvidas foram: falta de informações precisas sobre a isenção de ICMS sobre as transações (confusa, conforme a organização, por conta da demora da Secretaria de Fazenda em aprovar a medida), e o ar condicionado vacilante, que falhou em determinados pontos e não funcionou em tempo integral durante a montagem e a desmontagem dos estandes. O horário de visitação - de meio-dia às 20 horas - também foi criticado.

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