Wilton Junior/Estadão
Wilton Junior/Estadão

ArtRio em dias de dólar alto: menos público e galerias

Objetivo da feira é ficar entre as 5 maiores do mundo

Roberta Pennafort - Rio, O Estado de S. Paulo

04 Setembro 2013 | 20h31

Em sua terceira edição, mas com credenciais de feira já estabelecida, a ArtRio foi aberta na última quarta (4) a colecionadores e curadores com boas vendas e discursos cautelosos com relação à alta do dólar. Só nesta quinta (5) o público que paga ingresso (R$ 20), para o qual os galpões do cais do porto se transformam numa gigantesca exposição a ser visitada, terá acesso à produção exposta pelas 106 galerias participantes, brasileiras e estrangeiras vindas da Europa e das Américas.

Das 11 às 13 horas, só VIPs tiveram acesso aos armazéns. Cerca de 3 mil convites foram distribuídos para os 30 principais clientes de cada galeria. Negócios foram fechados rapidamente. Na paulistana Nara Roesler, uma escultura de Angelo Venosa saiu por R$ 80 mil; a Vermelho, também de SP, que não quis divulgar valores, vendeu obras de Marcelo Cidade e Nícolas Bacal. “São colecionadores que sabem muito bem o que estão comprando”, comentou Eduardo Brandão, que trouxe a Vermelho.

N’A Gentil Carioca, já às 13h30 um Rodrigo Torres havia sido comprado por R$ 15 mil, e três artistas estavam com obras reservadas: Jarbas Lopes, ao preço de R$ 65 mil, José Bento, por R$ 45 mil, e Laura Lima, por R$ 35 mil.

Na nova-iorquina Pace, vários móbiles de Alexander Calder estavam reservados também nas primeiras horas da ArtRio. “É nosso primeiro ano na feira e percebemos que há um grande interesse pelo Calder aqui”, disse a diretora internacional, Elizabeth Esteve.

Na quarta, os Calders foram possivelmente a maior atração da ArtRio: o espaço da Pace ficou lotado. A espanhola Mayoral exibe Mirós; a Gagosian, considerada a maior do mundo, Picasso, Degas, Giacometti, Pollock, Andy Warhol e Damien Hirst, entre outros artistas que movimentam milhões.

Representado por duas de suas galerias na feira, Vik Muniz batia papo no espaço da Gagosian. “Eu não venho a feiras ver arte, venho ver gente”, contava. “Eu não acreditava nessa feira, achava que o mercado estava perto da saturação, mas errei. Ainda assim, acho difícil trazer o colecionador internacional, porque ele pode comprar mais barato em Nova York.”

O dólar alto dificulta a vida dos brasileiros que levam artistas estrangeiros – mas esta é uma minoria entre os compradores. A maior parte é de estrangeiros e brasileiros que compram nossos artistas. “Claro que o dólar impacta, mas temos tantos compradores que não acho que vá influenciar no resultado geral”, avalia Brenda Valansi, uma das idealizadoras da ArtRio.

Ela acredita que a cada edição chegam novos interessados em arte – gente que não tem quadro algum em casa e decide levar uma obra de R$ 20 mil.

As galerias oferecem peças de R$ 1.000 a US$ 20 milhões (R$ 47 milhões). Os mais abastados têm à disposição uma salinha privada, no último armazém, onde podem apreciar o que lhe interessou mais detidamente, e fazer o cheque sem ninguém por perto. O private view room é uma praxe nas feiras internacionais e foi uma demanda das galerias estrangeiras à organização.

A seleção das participantes este ano foi mais rígida (o número de galerias no ano passado foi 120). Além de dar mais qualidade à feira, a intenção é tornar o espaço mais agradável. Para tal, também está sendo limitado o volume de pessoas circulando. Em 2011, foram 46 mil; em 2012, 74 mil; desta vez, estão sendo disponibilizados 60 mil ingressos. Até anteontem, um terço havia sido vendido.

Ano passado, por conta da superlotação, chegou a haver preocupação com relação à segurança das obras. Mas isso não fez com que os organizadores mudassem o foco: persiste a visão da feira não só como uma iniciativa com fins comerciais, mas também como um evento cultural que busca atrair a população não iniciada.

A meta da ArtRio é figurar entre as cinco maiores do mundo. No caso dos contemporâneos, os frequentadores do circuito de arte preferem ver a produção mais recente dos artistas na feira do que simplesmente ir às galerias. “Aqui está o novo do novo”, justifica o galerista Márcio Botner, d’A Gentil Carioca.

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