Artistas ridicularizam diretor da galeria Tate de Londres

Um grupo de artistas figurativos britânicos, conhecidos como "stuckistas", ridicularizaram o diretor da galeria Tate de Londres, Nicholas Serota, a quem acusam de favorecer a arte conceitual com suas aquisições. Os artistas, que costumam protestar contra o prêmio Turner de arte contemporânea, inauguram a partir de 6 de outubro e até 4 de novembro, na galeria Spectrum da capital, uma exposição que critica Serota. O evento, intitulado "Go West", incluirá 10 pinturas dos "stuckistas", incluída uma de seu co-fundador Charles Thomson: "Sir Nicholas Serota decide uma compra". Nesse quadro se vê o diretor da Tate observando calções vermelhos pendurados em uma corda, enquanto se pergunta: "É um Emin autêntico (avaliado em 10 mil libras) ou uma falsificação sem nenhum valor?". A obra faz referência à instalação "Minha Cama", da polêmica artista Tracey Emin, uma das finalistas do prêmio Turner que a Tate concede anualmente. Os "stuckistas", cujo nome se inspirou na frase "Your are Stuck" (Você está Preso, em inglês), que a "abstrata" Tracy Emin dirigiu a Billy Childish, co-fundador do grupo, atacam Serota porque consideram que ele tenta impor seus próprios critérios em matéria artística, apesar da galeria Tate ser uma instituição pública. Esse grupo, formado em 1999, mantém em seu manifesto que a arte conceitual domina indiscriminadamente a arte mais tradicional, especificamente a figurativa. Também afirmam que os artistas que não pintam "não são artistas". "Estes artistas são bons e são parte da história da arte", declarou hoje o diretor da galeria Spectrum, Royden Prior. "Deixemos de olhar o lado político da arte para nos focar na obra", acrescentou. Já Thompson qualificou a exposição como "uma guerra de idéias" sobre a importância da arte e comparou os "stuckistas" com o que no seu momento foram os impressionistas franceses: "No começo eles também foram ridicularizados por todo o mundo".

Agencia Estado,

24 de agosto de 2006 | 13h35

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