Artistas recriam o México na Casa das Rosas

Muitos dos 80 artistas plásticos que integram a mostra que será aberta amanhã ao público na Casa das Rosas nunca foram ao México, mas a idéia dessa exposição está justamente nessa premissa, ou seja, imaginar esse país, representá-lo por meio dos mais diversos tipos de obrasartísticas. Basicamente, esse é o tema da mostra MéxicoImaginário, que surgiu a partir de um encontro entre os artistasplásticos José Roberto Aguilar - diretor da Casa das Rosas - e omexicano Felipe Ehrenberg, também adido cultural aqui noBrasil.Na primeira conversa entre os dois, eles pensaram emfazer um site que seria intitulado Brasicanos e Mexileiros, umamaneira de promover um diálogo entre artistas dos dois países ede expressar as duas culturas. Desde junho do ano passado amostra virtual estava sendo desenvolvida. "Pela internetteríamos um grande público, mas pensamos que uma exposiçãofísica seria uma maneira de as pessoas terem maior contato comessa idéia", diz Ehrenberg. Desse modo, a Casa das Rosasconvidou 80 artistas plásticos brasileiros para criarem obras apartir de um "México imaginado" por eles, tarefa que o gruporealizou em pouco mais de um mês.A variedade e liberdade dessa mostra pode ser percebidana despretensão curatorial: as obras não foram agrupadas por setratarem de ícones comuns - somente as fotografias e os vídeosestão reunidos em mesmas salas. As instalações, pinturas,objetos e desenhos estão misturados em todos os outros espaçosda Casa das Rosas. Mas é claro que há alguns pontos"emblemáticos" nas obras dos artistas, como enumera Ehrenberg- a imagem da Virgem de Guadalupe, referências a Frida Kahlo, ascores e a "idéia de um México selvagem por meio da cor e daalegria". "Só que são emblemas, não a realidade. O Brasil nãoé só carioca ou o país da Carmen Miranda", completa omexicano.Como exemplo de outros pontos está a linguagem. MarcosMello compôs com blocos de madeira cada uma das letras de umtexto do poeta Octavio Paz, como se a obra estivesse montadapara ser impressa - "por meio desse processo o poeta chegou aoBrasil", analisa Ehrenberg. As palavras também são o mote dotrabalho Nosotros Hablamos la Misma Lingua, de Ana Teixeira,que pesquisou e reuniu os vocábulos comuns no Brasil e noMéxico.Há também criações que fazem referência aos astecas e àsescadarias onde guerrilheiros do templo eram sacrificados, aodeserto com cactos, aos problemas sociais e ao conflito étnicono Chiapas, Estado ao sul do país, que é lembrado na obra deRicardo Coelho. E, ainda, como reforça Ehrenberg, o tema damorte, presente na própria colagem dele feita sobre o amate, umpapel manufaturado em técnica pré-colombiana.Países que compartilham histórias semelhantes, "filhosde outro continente; dois grandes colossos com um problema comoa inflação; a similaridade das línguas - logo, pensamentosparecidos; e, por fim, as mesmas esperanças e vontades nesteprincípio de milênio"; os pontos comuns identificados porEhrenberg para que houvesse o diálogo artístico entre os países."O plano ainda é levar essa idéia ao México e propor aosartistas de lá representarem o Brasil", diz. Ainda não há umadata para que isso ocorra, mas a idéia é também mostrar a visãodos mexicanos na própria Casa das Rosas.Como todo o projeto surgiu a partir do site, a exposiçãotambém marca o lançamento de Brasicanos e Mexileiros(www.casadasrosas.sp.gov.br/brasicanos). Desse modo, em uma"sala web" cor-de-laranja foram instalados dois computadorespara espectadores internautas.México Imaginário. De terça a domingo, das 13 às 20 horas. Casadas Rosas. Avenida Paulista, 37, telefone. (11) 251-5271. Até18/8.

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