Artistas protestam contra "dirigismo cultural" do governo

Representantes do cinema, teatro, música, literatura e artes plásticas se reúnem segunda-feira, no Rio, em ato contra a política do Ministério da Cultura para o setor e o que chamam de "dirigismo cultural" imposto pelo governo Luiz Inácio Lula da Silva. Eles reclamam que as estatais que patrocinam as produções estão exigindo que os projetos sigam temáticas que valorizem as tradições populares e a identidade brasileira. Determinam, ainda, que os projetos tenham contrapartida social, como exibições gratuitas para comunidades pobres. Os representantes da comunidade artística e cultural denunciam que o ministro da Cultura, Gilberto Gil, está sendo alijado das decisões importantes, que têm ficado a cargo do secretário de Comunicação de Governo, Luiz Gushiken. A reunião, organizada pelo produtor Luiz Carlos Barreto, reunirá nomes de peso, como o cantor Caetano Veloso, amigo do ministro Gil, os atores Fernanda Montenegro, José Wilker, Marieta Severo e Miguel Falabella, o cineasta Cacá Diegues e o escritor Alcione Araújo. Eles vão preparar um novo encontro, maior, que deverá ser realizado durante essa semana num teatro do Rio e poderá ser aberto ao público.Para Luiz Carlos Barreto, o "dirigismo" é perigoso e frustrante. "É muito grave a tentativa de formular uma temática. Isso vai resultar numa grande picaretagem cultural: um monte de gente vai começar a fazer projetos sobre reforma agrária e o Fome Zero para conseguir patrocínio." O produtor citou como exemplos de imposições repudiadas pela classe cinematográfica as diretrizes que constam da página da Eletrobrás na Internet. O site diz que os projetos têm de divulgar as raízes culturais brasileiras e fortalecer a imagem do País no exterior. Barreto considera uma "aberração" que o secretário Gushiken tome decisões que caberiam ao ministro Gil. O produtor defendeu o programa para a cultura apresentado pelo PT durante a campanha eleitoral. "É um programa belíssimo, de caráter pluralista, mas não está sendo colocado em prática."Um grupo de cineastas, liderado por Cacá Diegues, já demonstrou sua insatisfação em reuniões com o ministro e com o presidente do PT, José Genoino, em Brasília. Segundo o secretário-executivo do MinC, Juca Ferreira, Gil levou a questão ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. "Queremos resolver isso antes que se transforme numa crise. Muitos setores estão descontentes e nós respeitamos a iniciativa deles. O ministro já se posicionou no sentido de que cabe ao ministério definir as políticas para a área cultural", disse.

Agencia Estado,

03 de maio de 2003 | 15h01

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.