Artistas plásticas transformam teses em exposição

Nesta semana, três exposições na cidade apresentam o resultado plástico de teses de mestrado e doutorado desenvolvidas por artistas plásticas para a Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA/USP). Ana Maria Tavares e Marie Ange Bordas apresentam seus trabalhos-teses a partir desta terça-feira no Centro Universitário Maria Antônia-USP e Branca de Oliveira inaugurou no início da semana, a exposição de suas obras no Centro Cultural São Paulo (CCSP) e na Monica Filgueiras Galeria de Arte.Ana Maria Tavares apresenta Estação II, quarta mostra decorrente de seu doutorado, em que propõe ao espectador uma visita virtual ao seu projeto integrado à arquitetura do casarão da Rua Maria Antônia. Marie Ange, por sua vez, apresenta em São Paulo uma coletânea de trabalhos da pesquisa que vem realizando em Nova York para sua tese de mestrado."Quando comecei a pesquisa para a tese, pretendia fazer uma dissertação sobre a relação da imagem estática com a imagem em movimento", lembra a artista plástica, que começou trabalhando com jornalismo e fotografia. "Os objetos eram então a fotografia e o vídeo." Longe do jornalismo e cada vez mais afastada da fotografia como linguagem, Marie Ange passou a desenvolver trabalhos com ambientes - que evita chamar de instalações - em Nova York, onde vive há três anos. Ainda lá, graças a uma sugestão de Arlindo Machado, seu orientador, a artista mudou o leme do trabalho e passou a discutir a própria criação.Assim, Percursos, como ela batizou a dissertação e a mostra, não segue a linha convencional dos trabalhos acadêmicos. Não parte de uma tese para chegar a uma conclusão, mas obedece a uma lógica própria, labiríntica e fragmentada. "É um texto de artista", define Marie Ange. "Meu trabalho tem uma influência forte do labirinto de Borges", continua ela, que propõe, dentro da exposição, caminhos para a visitação que têm a forma labiríntica. Assim como no trabalho de Ana Maria Tavares, Percursos exige uma participação física e não apenas visual dos visitantes.Vídeo - A mostra é composta por dois ambientes criados em uma única sala. Os locais compõem-se de trabalhos em vídeo que tratam de questões como a memória. "As referências acadêmicas foram criadas a partir desses conceitos que detectei no trabalho", conta ela. As imagens de vestígios - refotografias, reproduções de cartões-postais e outros - são apresentadas em projeções, o que se tornou um problema durante a montagem. "O aluguel de apenas um desses equipamentos não sai por menos de R$ 13 mil em São Paulo", protesta ela.Apesar das dificuldades, Marie Ange pretende abrir, no dia 17, uma mostra no Paços das Artes. "Trata-se de um outro caminho, outra trilha de meu percurso", explica ela que apresenta, nas duas, recortes de mostras maiores apresentadas apenas fora do País.Branca de Oliveira também dividiu as obras que fundamentam sua tese em duas exposições. "In-ex-tensas" é o nome de seu projeto de doutorado que tem obras no Centro Cultural São Paulo. São trabalhos que utilizam fragmentos de corpos e próteses como forma de se pesquisar a imagem. "A prótese funciona como a presença de uma ausência, é uma relação direta com a idéia de perda", observa a artista. Já em Desdobras, em cartaz na Monica Filgueiras, traz a cicatriz e não a prótese, como deformados de guerra. "Trata-se da beleza da dor", explica ela.Serviço - Branca de Oliveira. De segunda a sexta, das 11 às 19 horas; sábado e domingo, das 11 às 14 horas. Monica Filgueiras Galeria de Arte. Alameda Ministro Rocha Azevedo, 927, tel. 282-5292. Até 5/8; de terça a domingo, das 9 às 22 horas. Centro Cultural São Paulo. Rua Vergueiro, 1.000, tel.3277-3611. Até 20/8Marie Ange Bordas. Diariamente, das 9 às 21 horas. Centro Universitário Maria Antonia. Rua Maria Antônia, 294, tel. 255-5538. Até 27/8.

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