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Artistas gráficos discubem os novos rumos de sua arte

Ilustra Brasil é referência para profissionais do desenho e estudantes do segmento desde 2002

Alessandra da Mata, de O Estado de S. Paulo,

14 de setembro de 2009 | 20h13

Você conhece quem são os Ilustradores que mais se destacam no Brasil atualmente? Esse e outros temas ligados ao universo da ilustração serão destaques no debate entre profissionais da área de todo o país durante a 6ª Edição do Ilustra Brasil, que acontece entre os dias 14 de setembro a 16 de outubro, em São Paulo.

 

Segundo o artista gráfico e curador do evento, Orlando Pedroso, a ideia é fazer um apanhado geral do que acontece no mundo das artes gráficas nas últimas décadas. "Neste ano estamos focando a produção individual e procuramos dar aos participantes a oportunidade de conhecer um tipo de arte criada para atender de forma ágil e dinâmica às necessidades da comunicação de massa", afirma.

 

Pedroso, que começou a carreira em 1978, no jornal "Em Tempo" e já trabalhou com praticamente todas as publicações da grande imprensa, completa 30 anos de profissão e acredita na necessidade desses espaços para a troca de experiências.

 

O encontro é uma iniciativa da Sociedade dos Ilustradores do Brasil (SIB) em parceria com o SENAC São Paulo e o Centro Universitário Maria Antonia. O Ilustra Brasil é uma referência de excelência para profissionais do desenho e estudantes do segmento desde 2002.

 

O curador destaca o cenário atual como o momento em que ocorreu o "boom' de novos ilustradores. Ele acredita que as listas de discussões, que se espalham cada vez mais na web, com certeza, têm muito a ver com essa repercussão. "Tecnicamente há artistas impecáveis no campo das ideias, acompanho com atenção e percebo que tem muita gente boa aparecendo, mas, cabe ao mercado saber aproveitar tais talentos", destaca.

 

Além disso, acredita que a evolução tecnológica contribuiu, e muito, para maior visibilidade das ilustrações. Mas observa: "ao mesmo tempo em que as obras cruzam fronteiras e distâncias inimagináveis, é mais complicado manter isso no mercado". Para ele a quantidade de informação é tamanha que nos deixa mais dispersos e a chance do profissional sumir rapidamente é imensa.

 

Para o diretor de arte Hiro Kawahara, que tem as toalhas de bandeja do Mc Donald's como seu trabalho publicitário de maior destaque, eventos como O Ilustra Brasil é muito importante porque é o momento em que se joga o holofote na ilustração, divulgando a diversidade de profissionais da área em âmbito nacional, além de discutir problemas e questões relacionadas à classe de forma muito mais ampla.

"Também comemoramos a possibilidade de conhecer outros ilustradores, trocar figurinhas, confraternizar e, porque não, se deparar com um ídolo da profissão?", observa.

 

Hiro faz um paralelo sobre a evolução constante da ilustração brasileira tanto na área editorial, publicitários como a street art e os quadrinhos. "Ele concorda com Pedroso sobre o altíssimo nível de profissionais brasileiro, com destaque inclusive no cenário mundial. "Hoje, é muito comum ilustradores mais experientes divulgarem portfólios de iniciantes em fóruns ou ensinando procedimentos mais formais da profissão, como questões de contrato ou orçamentos. "Antigamente era muito difícil para um desenhista conseguir caminhos e dicas para se tornar um profissional" comenta.

 

Presença - Nesta edição, o Ilustra aproveitará as comemorações do Ano da França no Brasil, com a presença da dupla de ilustradores franceses Laurent Cardon e Sylvain Barre.

Cardon reside em São Paulo desde 1995. Formado pela escola de animação Les Gobelins, de Paris, o ilustrador foi supervisor de séries de animação e de longas-metragens de diversos estúdios na Coreia, na China, na França e na Espanha, além disso, foi diretor de arte de um estúdio francês de animação 2D no Vietnã. Hoje ele é um dos responsáveis pelo Studio Citronvache.

 

Entre seus trabalhos mais conhecidos estão as diversas campanhas do tigre da Kellogg's, a série de animação da Faber Castell, e as inesquecíveis baratas e pernilongos do Inseticida Raid. Posteriormente, Cardon passou a ilustrar livros infantis no Brasil. Duas de suas criações foram premiadas pela FNLIJ: "Alecrim", de Rosa Amanda Strausz e "Procura-se lobo", de Ana Maria Machado.

 

Já Barre, está no Brasil há onze anos. Trabalhou como diretor de arte e ilustrador independente em São Paulo para agências de publicidade como Fábrica de Criação e Partner. Ganhou em 2000 o VMB de Melhor Videoclipe, criou várias vinhetas para a MTV Brasil e para o canal. Em 2005 foi vencedor do Festival do Minuto com "A barreira do som". Ganhou o concurso de curtas "Crônicas da Cidade", organizado pela Prefeitura de São Paulo, com o projeto "Fatia Paulista".

 

A programação prevê ainda palestras gratuitas e exposição de artistas renomados que trabalham com diferentes ideias, técnicas e estilos. Este ano a mostra terá a participação de Jefferson Luiz Alves, Daniel Bueno, Laerte Coutinho, Guto Lins, Samuel Heisel, Rafael Coutinho, Rafael Grampá entre outros.

Para participar o interessado precisam se inscrever no SENAC Consolação. Os temas a serem debatidos poderão ser consultados no site: www.sp.senac.br/ ou no http://www ilustrabrasil.com.br/

 

 

Entrevista com Laurent Cardon

 

O francês Laurent Cardon tem uma vasta experiência no mundo da ilustração. Desde a década de 90 no Brasil, ele vai traçar um panorama sobre desenho tradicional e desenho digital.

Grupo Estado - Poderia traçar um panorama (semelhanças e diferenças de traços) entre a ilustração no Brasil e na França?

Laurent Cardon - Hoje é difícil falar de ilustração característica de um país sem dissociar os gêneros HQ, livro infantil, ilustração de imprensa (como charge) e propaganda. Esses gêneros têm evoluído, não só pela variedade de influências gráficas que eles recebem como pela própria exigência do leitor, de acordo com sua cultura, que se diferencia de um país para o outro. A HQ francesa, apesar de ter sido bastante "melada" pela cultura belga da "Ligne Claire" como Hergé ou mais cômica como Uderzo, Peyo, Franquin, Robat, e também influenciada pela cultura americana proveniente da Marvel, e pela abusivamente cultura do mangá (mercado esse que representa 40% das vendas de HQ no país) continua muito diversificada. Portanto, acredito que o livro infantil na França, como na maioria da Europa, atende muito mais pela sua criatividade gráfica que a HQ. Talvez pelo lado educativo que ele incorpore, a mágica do imaginário da criança que inspira o ilustrador, e por consequência, oferece um mundo mais "desestruturado" que o HQ. A produção de HQ no Brasil é ainda muito recente. Só agora esta sendo reconhecida pelas editoras como suporte de comunicação. É um mercado que promete muito, e que não evoluiu tanto como a ilustração de livro infantil, juvenil, ou de charges de jornal.

Como você analisa o panorama da ilustração brasileira?

Por ter visto muitos portfólios de ilustradores no Brasil, ainda acho que a ilustração aqui esta sendo um pouco "assombrada" pelos "fantasmas" do Mauricio de Sousa, Ziraldo e o Marvel Americano. Mesmo assim acredito que a ilustração nesses últimos 10 anos evoluiu consideravelmente em termo de estilos e qualidade. Acho ainda que o Ilustra Brasil é o grande evento que consegue fortalecer o intercâmbio da criação, permitindo um olhar mais crítico para as produções, a possibilidade de encontro entre as entre as diferentes áreas da ilustração, e estimulando o desempenho da profissão. Mas, se a França está se posicionando bem em termo de riqueza, variedade e de quantidade de livros ilustrados comparado ao Brasil, é antes de tudo pelo fato que o livro é muito mais presente e mais acessível no cotidiano dos franceses. O livro infantil na França é caro, mas não tanto como comparado ao Brasil. Sempre fiquei revoltado de ver que os únicos livros pra criança, que se encontram nas bancas de jornal, (o lugar mais acessível para a educação de criança brasileira fora a escola), são apenas HQs da Disney ou da turma da Mônica. O que não incita a criança a desenvolver uma cultura visual. Ideal seria fazer uma reeducação dos pais para entender a importância do livro infantil no aprendizado.

O que pretende abordar em sua palestra: Um olhar entre o tradicional e o digital?

É sabido que hoje a tendência, tanto na área da ilustração como da animação, é de usar o computador pra desenhar ou finalizar, exceto puristas como Odilon Morais e Gilles Eduar, que, com respeito, sinto um pouco de inveja pela assiduidade e aversão ao computador, tendo em vista que essa ferramenta é um prato cheio pra fazer de seu trabalho uma sopa sem sabor caindo nos recursos básicos do photoshop. Através dessa apresentação, pretendo, ao lado do meu sócio no Studio Citronvache, Sylvain Barré, debater sobre a nossa preocupação comum em desenvolver trabalhos de técnicas mistas, absorvendo o digital e o tradicional no encontro de novos grafismos e animações.

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