Artistas e políticos fazem manifesto contra "censura"

Cerca de cem pessoas - entre artistas e políticos - participaram no fim da tarde de hoje de uma manifestação para protestar contra a decisão do juiz da 1ª Vara da Infância e Juventude do Rio, Siro Darlan, de proibir a participação de menores de 18 anos na novela Laços de Família. O protesto aconteceu no Planetário da Gávea, na zona sul, que assim como a novela, também teve horário alterado para as 21h. O ato foi organizado pela Associação de Roteiristas de Tevê e Outros Veículos (ARTevê).Um manifesto da ARTevê, que foi lido no protesto pelo ator Paulo José, será enviado junto com um abaixo-assinado para o ministro da Justiça, José Gregori, para o Congresso Nacional e para o presidente Fernando Henrique Cardoso. Durante a manifestação, foram lidas mensagens de apoio da Ordem das Advogados do Brasil (OAB), do carnavalesco Joãsinho Trinta e do ator e diretor Antônio Abujamra, que qualificou o episódio como a "censura da ignorância e da malícia". O ator Stephan Necerssian fez um discurso ironizando a suposta moralidade da decisão judicial e recebeu vários aplausos."O papel do Estado não é governar folhetins. Isso que está acontecendo é uma cortina de fumaça, de omissão do Estado em relação aos problemas reais da sociedade brasileira", afirmou a novelista Glória Perez, que está escrevendo uma novela que deverá ir ao ar no próximo ano. Os humoristas do Casseta e Planeta também estiveram presentes ao ato. "Estamos particularmente interessados nesse assunto, como humoristas, e universalmente, como cidadãos", disse Bussunda. "Para o humor e para o País, a volta da censura é péssima".A atriz Betty Faria disse que os meios de comunicação e a classe artística deveriam aproveitar este momento para fazer uma campanha pelo desarmamento e em defesa dos menores de rua. "O foco está errado. Ninguém fica indignado com o menor dormindo na rua ou vendendo chicletes no sinal", criticou. Ela fez questão de ressaltar que a decisão do juiz Siro Darlan foi "ridícula". A deputada federal Jandira Feghali (PCdoB) propôs que seja criado um fórum de mediação entre Judiciário e os meios de comunicação, no qual o assunto poderia ser debatido. "Espero que esta discussão não termine aqui, pois precisamos promover vários debates sobre a censura. Esta é uma luta maior pela democracia brasileira", disse.

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