Artistas debatem manifestações no Teatro Oficina, em SP

Mais de mil atores, diretores, dramaturgos, escritores, músicos e intelectuais participaram na noite dessa segunda-feira, 8, no Teatro Oficina, em São Paulo, do ato Cultura Atravessa, convocado para afinar o discurso da comunidade artística com os das diversas manifestações que têm varrido o País há um mês. Participaram nomes como Antonio Nóbrega, Sebastião Milaré, Iara Jamra, Marcelino Freire, entre centenas de outros.

JOTABÊ MEDEIROS, Agência Estado

09 de julho de 2013 | 12h00

"O teatro, que geralmente é vanguarda de tudo, atrasou. Mas agora tá aqui", disse o dramaturgo Lauro Cesar Muniz, um dos presentes. "Estamos a reboque mesmo", afirmou o ator Ney Piacentini, da Cooperativa Paulista de Teatro. Participaram integrantes do Movimento Passe Livre (MPL), que foram saudados pelos presentes como força motriz das mobilizações. "Quem sabe eles nos tragam uma nova forma de fazer política", discursou Piacentini.

Com um sarcasmo muito aplaudido, o coreógrafo e bailarino Sandro Borelli dedicou a manifestação da classe artística na noite "à Comissão de Direitos Humanos e a todos os parlamentares evangélicos do País". Em seguida, ele apresentou um balé em que dois bailarinos homens (Alex Merino e Francisco Silvino) fazem toda a coreografia se beijando ininterruptamente.

O jornalista Eugênio Bucci defendeu a imprensa da animosidade que sobreveio com as manifestações. "Vou falar bem dos jornalistas. Se não fosse alguns jornalistas, que não são vândalos, não teriam sido possíveis algumas das bandeiras dos movimentos, como a gastança na Copa, os pedidos para abrir as planilhas dos gastos. Ajudaram a apontar o debate sobre a PEC 37. Deram notícias ruins que as manifestações transformaram em debates", afirmou.

Segundo Bucci, os protestos se deram sob o "signo do contraditório", com carros das emissoras de TVs sendo vistos como símbolos do poder, mas com jornalistas profissionais como aliados das reivindicações populares. "O mundo que se abre agora é muito mais interessante do que esse que tá aí", discursou.

"O povo é mais forte do que as realidades que nos são impostas pelas emissoras de TV", disse o dramaturgo Lauro Cesar Muniz. O diretor João das Neves, fundador do grupo Opinião (e ex-diretor do CPC), que veio desde o Vale do Jequitinhonha (MG), afirmou: "Sou um homem pacífico, jamais quebraria a vidraça de um banco. Mas fico muito contente quando quebram as vidraças de um deles. Os vândalos são eles". O grupo Reage Artista, do RJ, veio ao encontro para trazer o que chamaram de suas "nanopautas", e chamou a polícia carioca de "medieval" no trato com as manifestações. O diretor José Celso Martinez Correa pediu o fim da Polícia Militar, que disse um resquício do gorilismo que foi a ditadura no País.

Lauro Cesar Muniz ponderou que as manifestações se devem a equívocos de todas as esferas de poder, e que os governos recentes "pintaram um Brasil que ainda não existe, mas que pode vir a existir". Segundo ele, os protestos servem para lembrar que "o povo existe; parece que andaram perdendo isso de vista".

Ney Piacentini pediu "o fim da casta dos captadores de recursos". Integrante da Comissão da Verdade, a jornalista Maria Rita Kehl ligou no meio do ato e falou para os manifestantes no viva voz do celular. Pediu que não se deixe degradar "as condições de produzir uma cultura independente e renovada". Ao final, os manifestantes pintaram palavras de ordens e recados em cartolinas espalhadas pelo chão do Teatro Oficina. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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