Artista transforma operação plástica em performance

Dizendo desafiar as percepções tradicionais de beleza, a artista performática francesa Orlan já fez várias cirurgias plásticas no rosto e no corpo. Orlan acha que a arte "tem que chocar". E com sua arte carnal - que inclui remodelar seu rosto para fazê-lo ficar parecido com o das mulheres de Ndebele, do Zimbábue, conhecidas por usarem colares que alongam o pescoço - ela consegue atingir este objetivo."Toda a idéia do meu trabalho é ser contra a idéia de pressão social no corpo da mulher", disse a artista de 56 anos, em um debate sobre seu trabalho no Museu de Artes e Design de Manhattan, em Nova York. Orlan, que que tem uma enorme prótese acima das sobrancelhas, acredita que cirurgia plástica seja mais que redução do estômago, lipoaspiração e aumento dos seios. É uma expressão do sublime e do grotesco, excentricidades encravadas na carne humana e esculpidas nos ossos.O trabalho de Orlan é gráfico e bizarro, uma mistura de absurdo e exótico. Durante uma apresentação multimídia, ela mostrou 40 anos da história de seu trabalho, que começou com fotografias em poses nuas em preto e branco e terminou com sua performance durante a própria cirurgia plástica, mostrada em detalhes. Orlan busca ficar parecida com padrões não ocidentais de beleza, como as mulheres de Ndebele, que esticam seus pescoços usando dezenas de colares apertados. Diz que sua arte se rebela contra a repulsão cristã aos prazeres da carne e é formada por "híbridos mutantes", uma combinação da arte tribal com tecnologia moderna.Mais chocantes talvez sejam as performances de Orlan durante as próprias cirurgias, algumas das quais têm seus próprios temas. Durante uma delas, ela aparece vestida como uma Madona, segurando uma grande cruz negra em uma mão e uma branca na outra, enquanto os médicos e enfermeiras, fantasiados, cortam camadas de pele. Até mesmo o sangue e a carne descartados após as cirurgias são usados. Ela, por exemplo, revestiu um pedaço de sua carne com vidro e prendeu-o em uma pequena tábua. Para Orlan, "o corpo é uma escultura e um pedestal".

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