Artista perde para arte contemporânea lá fora

O marchand Paulo Kuczynski insistiu bastante, mas o desenhista de joias e fundador do Museu Internacional de Arte Naïf do Rio, Lucien Finkelstein, morto em 2008, não aceitou vender os dois óleos sobre cartão dos anos 1930 que ele agora exibe com orgulho como dois dos melhores exemplares da exposição com obras raras de Di Cavalcanti. "A família acabou vendendo, mas foram anos namorando a tela A Mulher do Caminhão, de 1932."

O Estado de S.Paulo

18 de abril de 2012 | 03h09

O pequeno óleo (39 x 50 cm) já foi mostrado em exposições importantes, mas existem trabalhos que são exibidos pela primeira vez ao público, caso de Descanso dos Pescadores, que nunca saiu da casa onde morou o escritor José Lins do Rego. Os óleos Serenata e Conversa no Cais são igualmente inéditos em exposições, embora a reprodução do último tenha sido publicada num livro sobre o artista por Aleksander B. Landau, em 1976.

Di Cavalcanti é um artista que, a exemplo de Volpi, nosso maior pintor, ainda não tem cotação internacional. Ao contrário de Mira Schendel, Lygia Clark e Hélio Oiticica, que alcançam preços estratosféricos em casas de leilões como a Sotheby's e a Christie's, Di Cavalcanti fica no patamar de pintores contemporâneos sem a sua relevância histórica (Beatriz Milhazes, por exemplo). Há dois anos, sua tela Sonhos do Carnaval (1955), foi avaliada num leilão da Christie's entre US$ 800 mil e US$ 1,2 milhão. Hoje ela alcançaria uma cotação maior (há telas de Di Cavalcanti que chegam a US$ 2 milhões, mas elas são poucas e raramente aparecem no leilões brasileiros, que comercializam mais as obras do período final, sem a importância das peças dos anos 1920 a 1940).

"É uma injustiça com Di Cavalcanti e Volpi, mas as cotações internacionais seguem a lógica dos curadores, que preferem a arte concreta e neoconcreta do Brasil", analisa Kuczynski.

Desde os anos 1970 vendendo modernistas brasileiros, o marchand estima que 80% das obras que comercializou eram de Volpi. Di Cavalcanti está mais presente nas coleções particulares que nos acervos dos museus, embora o Masp tenha As Cinco Moças de Guaratinguetá (1930) e o MAC, uma bela coleção de desenhos seus - e ele foi um grande desenhista. Das coleções privadas, destaca-se a do casal carioca Sérgio e Hecilda Fadel. A coleção de Gilberto Chateaubriand é igualmente uma referência quando se fala do artista. Já rendeu, em 2006, uma retrospectiva com 51 óleos e 59 desenhos. / A.G.F.

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