Artista paulistano faz performance com bloqueador de celular

Durante a primeira abertura da 27.ª Bienal de São Paulo, no edifício da Fundação no Parque do Ibirapuera, na quinta à noite, muitos dos convidados nem tinham idéia que participavam de uma performance do artista Marcelo Cidade. O paulistano, um dos artistas dessa edição da mostra, realizou de forma clandestina seu projeto "Fogo Amigo", que consistia em bloquear, num raio de 20 metros, os sinais de celulares dos visitantes da exposição. "Há dois meses, recebi uma carta do setor jurídico da Fundação Bienal vetando o projeto", diz Marcelo Cidade. Segundo o artista, os advogados da Fundação alegaram que a obra poderia provocar danos para a instituição por "impedir o direito de comunicação."Mesmo impedido, Marcelo Cidade seguiu seu trabalho. Cinco pessoas, incluindo o artista, andaram por todo o Pavilhão munidos de mochilas que continham bloqueadores de celulares, curiosamente, comprados pela internet. Os visitantes da mostra, que tentavam usar o aparelho, nem percebiam o motivo real da falta de sinal. Segundo o artista, a curadoria da mostra não sabia de sua ação na cerimônia de abertura.Em projeto inicial, Marcelo Cidade tinha a idéia de colocar seis bloqueadores de sinais de celulares em locais estratégicos do prédio da Bienal, que funcionariam durante todo o período da mostra, até 17 de dezembro. Para que o projeto fosse realizado, a Fundação Bienal teria de conseguir a autorização para o uso desses aparelhos. "Mas eles não quiseram. O que vi foi corpo mole da direção", afirmou o artista sobre esse trabalho pertinente.A performance de Cidade não foi a única feita durante a abertura da mostra. O grupo dinamarquês Superflex, que também teve uma obra, o "Guaraná Power", vetada pelo setor jurídico da Fundação Bienal, fez uma performance sobre direitos autorais: vestidos com um grande olho e a logomarca do C de "copyright", um deles carregava uma placa com a pergunta: "do you copy?".A mostra será aberta para o público no sábado, pela manhã.

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