Artista mineiro faz primeira individual em SP

A mostra que Fernando Lucchesi inaugura nessa quinta na Galeria Marília Razuk é uma rara oportunidade de conhecer melhor a obra desse artista, considerada uma das mais relevantes da produção contemporânea mineira, mas, por temperamento, não gosta muito dos holofotes. "Prefiro ficar quieto no meu canto", diz ele para explicar o fato de que só agora, com 45 anos e um currículo repleto de exposições no Brasil e no exterior, realiza sua primeira individual em São Paulo.Com curadoria da historiadora Aracy Amaral, a exposição traz duas facetas de Lucchesi: as pinturas e os desenhos, alguns com 20 anos de idade. Ambos são fruto de um exercício obsessivo. Na pintura, Lucchesi parte do ponto; no desenho, do traço. Mas o resultado é distinto. Enquanto as telas dele são abstratas, iluminadas e refletem sua convicção de que a arte tem de ser bela e agradável, os bicos-de-pena são mais intimistas e têm algo de melancólico e perturbador. Nos dois casos, é evidente a relação com a música e o ritmo.Ele atribui grande importância ao fato de ser autodidata acreditando que isso é parcialmente responsável pela simplicidade de seu trabalho. "Continuo até hoje com o primeiro traço que fiz", diz.São muitas as influências que podem ser identificadas em sua obra. A primeira e a mais evidente é o barroco. Lucchesi chegou a morar por algum tempo em Ouro Preto, mas mudou-se, desiludido com o descaso e a violência. Mas também há algo oriental nos hipnóticos triângulos que se transformam em montanhas e nas cores encantadoras, como o dourado e o azul cobalto que vemos em suas telas. Ele também reconhece uma certa inspiração impressionista. "Não tento imitar a natureza, mas me inspiro muito nela", diz o artista, que só pinta ao ar livre, tendo os macacos da mata próxima à sua casa por principal platéia.Fernando Lucchesi. De segunda a sexta, das 10h30 às 19 horas; sábado, até 13 horas. Galeria Marília Razuk. Avenida 9 de Julho, 5.719, tel.: 881-9853. Até 19/9. Abertura, nessa Quinta, às 19 horas

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