Artista mexicana cria heróis comuns no cotidiano americano

O culto ao herói é uma das bases da identidade dos Estados Unidos desde sua origem. A artista mexicana Dulce Pinzón, que vive em Nova York, produziu uma série de 20 fotos para mostra que não só de americanos se faz uma nação de heróis. Na mostra "La Verdadera Historia De Los Superhéroes", Dulce traz 12 imigrantes mexicanos vestidos como ícones dos quadrinhos e da televisão, deixando claro que não é apenas de fabulosos atos de altruísmo que se sustenta a vida cotidiana de milhões de pessoas no país mais forte do mundo. O 11 de Setembro já ocupa espaço consagrado na memória americana como o dia em que heróis de carne e osso deram a vida para salvar as vítimas do World Trade Center ainda em chamas. Outros heróis, não tão célebres, da mesma forma são fundamentais. É o caso de Juventino Rosas, retratado como Aquaman, limpador de peixes de Nova York com salário semanal de 400 dólares. Ou o entregador de fast food Noe Reyes, devidamente trajado de Super-Homem, com o quase modesto salário de 500 dólares semanais. Segundo Dulce, os heróis de quadrinhos são reconhecidos por sua atitude nobre, sujeitos que escolhem abandonar seus interesses para o benefício de muitos. Diz ela em seu website: ?É importante fixar valores não apenas naqueles que surgem como heróis a partir de uma desgraça ou uma emergência nacional ou mundial, mas também naqueles que dia a dia sacrificam parte de sua vida para melhorar sua realidade e afetar positivamente a de outros?.A própria noção de identidade cultural nos Estados Unidos se funda em torno da definição de heroísmo. Segundo o folclore americano, a pedra no sapato do rei inglês em 1776 foi um bando de fazendeiros sem preparo militar que deixou sua família desprotegida para lutar contra um tirano abusivo que não reconhecia seus direitos. O ponto final da 2.ª Guerra foi dado quando os soldados americanos desembarcaram na Normandia. Combater o maléfico comunismo onde ele surgisse era tarefa para poucos eleitos. Que tipo de herói pode lidar com o ?mal? sem rosto do século 21? A resposta talvez se esconda entre as fotos de Dulce. Particularmente deliciosa é a imagem de Alberto Lara, peão de obras empurrando um modesto carrinho de cimento. Sua fantasia? Nada menos que o gentilíssimo Chapolin Colorado.

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