Artista Ianês circula pelado pela Bienal e causa espanto

Maurício Ianês inicia sua performance 'A Bondade de Estranhos' e circula completamente pelado pela Bienal

Camila Molina e Maria Hirszman, do Estado de S. Paulo,

04 de novembro de 2008 | 20h02

Pelado, o artista Maurício Ianês iniciou nesta terça, 4, sua performance A Bondade de Estranhos, como parte da 28.ª Bienal de São Paulo: durante 13 dias, até 16 de novembro, ele ficará no pavilhão da instituição sobrevivendo apenas de doações dos visitantes e sem dizer uma palavra. Veja tambémEspecial da 28.ª Bienal de São Paulo   Logo que foi aberto o evento para visitação, às 10h, Maurício Ianês, todo pelado, começou a vagar pelo prédio, chegando ao terceiro piso do edifício, onde está a parte expositiva desta Bienal, que ficará em cartaz até 6 de dezembro. A primeira doação recebida foi uma garrafa d´água e logo após, uma camiseta.  Pouco depois das 14h, o artista ainda se apresentava nu da cintura para baixo, causando espanto entre os poucos visitantes no local, a ponto de os guardas responsáveis pelo setor perguntarem: "ninguém pode dar uma cueca para ele?" Também não faltaram piadas maliciosas em relação àqueles que observavam mais atentamente a cena.  O incômodo foi potencializado pelo fato de Ianês ficar absolutamente imóvel, de pé, sem comunicação alguma com o público, contrariamente ao que anuncia o título geral dessa edição da 28.ª Bienal: Em Vivo Contato. O único movimento do artista era se sentar, esporadicamente, ao lado dos poucos pertences recebidos. Até o final da tarde, ele já tinha ganhado comida, mais duas camisetas, uma manta e uma cueca, o que facilitará o seu primeiro pernoite no prédio.  Ianês não vai sair do edifício durante todos esses dias - inclusive, nas segundas-feiras, quando a Bienal está fechada ao público. No prédio o artista vai dormir e se banhar em um vestiário da instituição. Como não é permitido entrar com bolsas e pertences depois do piso térreo do pavilhão, as pessoas que quiserem alimentar o artista terão de se identificar na portaria, onde receberão uma senha para poder levar comidas e bebidas ao artista. No primeiro dia, Ianês apenas permaneceu no terceiro piso do prédio, mas ao longo desse período ele deve mudar de local. O Pavilhão da Bienal estava bastante vazia durante a tarde desta terça e as pessoas ainda não tinham ouvido falar da performance e, por isso, não reconheciam o que estava acontecendo. É provável que ao longo dos dias as doações se ampliem. Além do tobogã de Carsten Höller, grande atração de público, outro ponto de movimentação foi a gravação de um programa de televisão no segundo piso, que, propositalmente, fica vazio de obras.

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