Artista gráfico expõe cartazes no MAM

É fato que o Brasil não é dos dez países que mais valorizam seus artistas plásticos - quanto maisseus artistas gráficos. Ainda assim, foi para um museu público brasileiro que Almir Mavignier, carioca radicado há meio século na Alemanha, resolveu doar uma parte significativa de sua produção de cartazes. A sede do Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM) do Ibirapuera exibe, a partir de quinta-feira, a maior parte desses trabalhos, realizados entre 1957 e 1999.Um outro recorte menor, que também ficará no País, será mostrado em uma instalação composta por quatro grandes cartazes de rua exibidos num grande cubo de luz que será exposto a partir do dia 3 no espaço do MAM no Shopping Villa-Lobos.Em um primeiro momento, todas essas obras foram selecionadas pela curadora da exposição e crítica de arte Aracy Amaral. A triagem foi realizada no ateliê do próprio artista em Hamburgo, onde vive desde 1965. Lá, a curadora escolheu os 135 cartazes que chegaram ao museu nesta semana. Mas a configuração final da exposição ficou a cargo do artista, também pintor.Foi durante essa preparação que Mavignier decidiu doar as peças para o museu, muitas delas originais e únicas de seu acervo, como o cartaz para uma exposição de Paul Klee, que criou a partir do detalhe de uma tela.Artista com o pé fincado na tradição construtiva da escola de Ulm, ele diz que a decisão de deixar os mais de cem cartazes no MAM não se trata simplesmente de uma atitude altruísta. "Gosto da idéia de ter meu acervo preservado e mostrado por um museu como o MAM", comenta ele, que trabalha,hoje, em muitas parcerias com o filho Delmar.Os trabalhos que podem ser vistos na exposição que abre quinta-feira trazem não apenas as linhas concretas e sintéticas da programação visual do artista. São também peças nas quais Mavignier, quase inconscientemente, traz a influência de suaexperiência no ateliê do Hospital Psiquiátrico do Engenho de Dentro, com a psiquiatra Nise da Silveira. É o caso, por exemplo, do cartaz que ele criou para a própria retrospectiva, que fica em cartaz até setembro. "A referência à pirâmide é uma recorrência formal que está ligada à minha experiência com Nise da Silveira", afirma ele.

Agencia Estado,

26 de julho de 2000 | 16h49

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