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Artista chinês Ai Weiwei resistiu a 'enorme pressão' na cadeia

Dissidente foi vítima de intensa pressão psicológica durante os 81 dias em que esteve preso

Sui-Lee Wee, REUTERS

10 de agosto de 2011 | 17h09

PEQUIM (Reuters) - O dissidente artista chinês Ai Weiwei, cujo desaparecimento em abril causou um clamor internacional, resistiu a uma intensa pressão psicológica nos 81 dias em que esteve preso em local secreto e ainda enfrenta a ameaça de prisão por suposta subversão, disse à Reuters uma fonte familiarizada com os acontecimentos.

 

No primeiro amplo relato do tratamento dispensado a Ai durante sua detenção desde que ele foi libertado em junho, a fonte, que não quis ser identificada por temer represálias, disse que o artista de 54 anos foi interrogado mais de 50 vezes pela polícia, enquanto esteve detido em dois lugares secretos.

 

O interrogatório centrou-se em seu suposto papel nos protestos da "Revolução do Jasmim" na China, de inspiração árabe, em fevereiro, e em seus escritos que poderiam ser qualificados de subversivos, disse a fonte.

 

O relato contradiz as repetidas declarações do governo chinês de que a detenção de Ai foi baseada em supostos delitos financeiros.

 

"O que estão fazendo é ilegal", disse Ai a agentes de polícia em um dado momento, segundo a fonte. "Disseram: 'Sabe que antes de morrer Liu Shaoqi se aferrava à Constituição... Falar de ilegalidade, não há diferença entre o país em que estamos agora e o tempo da Revolução Cultural'."

 

Liu, um ex-presidente, foi expulso e morreu na prisão durante a Revolução Cultural de 1966-67, quando o líder máximo Mao Tsé-tung se voltou contra seus companheiros em nome da insurreição.

 

No segundo local, onde Ai Weiwei esteve por 67 dias, o artista famoso pelo trabalho do Estádio Olímpico Ninho do Pássaro, em Pequim, foi vigiado por dois policiais durante 24 horas por dia, que ficavam a centímetros de distância, observando cada movimento seu inclusive enquanto dormia.

 

Ai Weiwei tinha de pedir aos agentes permissão para beber água e usar o banheiro e não tinha permissão para falar. Quando dormia, era exigido que colocasse as mãos por cima da manta, disse a fonte.

 

"Foi uma pressão psicológica imensa", disse a fonte.

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