Artigo de difícil definição

A voz de Merrill Garbus há de riscar o giz entre fãs e detratores do incensado tUnE-yArDs, projeto liderado pela própria cantora. Trata-se de um gogó distinto. Soa como um falsete masculino. Habita registros estratosféricos com propriedade e insistência. Desenha melodias entontecedoras, como uma bexiga que se esvazia, doida, pelo salão. Lembra Vampire Weekend em sua euforia juvenil; Dirty Projectors em seu vanguardismo pop; Sufjan Stevens em suas construções abundantes. Mas ao contrário destes artistas, Merrill não sintetiza consistentemente as experimentações em música palatável. O trunfo de Whokill, segundo do tUnE-yArDs, é o frescor dos arranjos. Sintetizadores birutas dão caráter às canções. Grooves dissonantes, que lembram Primus, embalam. Há incorporações de hip hop, free jazz, flertes com rock progressivo e clássico - tudo feito com instrumentação mínima e completado pelo frenesi melódico de Merrill. Mas as dissonâncias e o proposital déficit de atenção estilístico parecem ser deliberadamente concebidos para inovar, o que não é, em si, um problema, mas mina o potencial pop do disco. Quando Merrill baixa o tom experimental e se apoia somente na força das canções, então despidas de peripécias estilísticas e vocais chamativos, como no baião a la Guinga Riotriot, ou no acalanto Wolly Wolly Gong, tUnE-yArDs vira abóbora. Powa e Bizness, que tem ótimo videoclipe, são as exceções à falta de tutano.

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