Arthur Omar busca em exposição as raízes da percepção

O multimídia Arthur Omar quer desvendar os processos da percepção e descobrir quando a informação vira conhecimento. Este é, em resumo, o tema da mostra "Zooprismas", que abre nesta terça-feira no Centro Cultural Telemar, ocupando a fachada e os três andares do antigo Museu do Telefone. ?Pela primeira vez, se cria um percurso em que a videoarte, a fotografia e as instalações convivem lado a lado no mesmo espaço, expressando um só conceito?, diz o artista, que trabalha nessa exposição desde o início do ano. ?A idéia é retomar as raízes da percepção, promovendo experiências sensoriais puras.?A exposição começa na fachada do prédio, coberta com a instalação "A Mola Cósmica", em que imagens captadas em alta velocidade criam um alfabeto que o público lê, sem no entanto identificar as letras. No interior do prédio, Arthur Omar distribuiu obras geralmente projetadas em telões ou nas paredes, como Esferas em Fuga, em que bolas de ferro em movimento tornam-se transparentes devido à velocidade com que a imagem é exibida. Há também retratos holográficos,totalmente abstratos ou figurativos, como sua versão do quadro "A Menina com o Brinco de Pérola", de Wermer. ?Na verdade, é uma fotografia que fiz no Afeganistão em 2002, de uma garota que passava pela rua e se vestia exatamente como a do quadro, não houve qualquer produção na foto?, garante Omar. ?Mas o quadro não será visto por inteiro e sim em partes, iluminadas numa fração de segundo que servirão só para impressionar a retina. No fim, o público vai aguardar a imagem inteira.?A idéia de Artur Omar é explicitar os processos da cognição e, à medida em que a exposição avança, a oferta de imagens vai acalmando. No primeiro andar, a luz estroboscópica praticamente nubla a percepção. Ele brinca com som e luz, seja em trabalhos grandiosos, como "Dionisíaca", foto de quatro metros de largura, que ocupa a entrada co Centro Cultural, ou minimalistas, como "Luz Lumière Light", em que duas mãos brincam com um foco de luz, que reage à manipulação. ?Tinha pensado neste vídeo para comemorar o centenário do cinema, mas deixei para agora?, lembra. Omar trabalha sempre com o processamento de imagens, sejam captadas especialmente para o trabalho em foco, sejam antigas. ?Desta vez, passei meses com o editor Evângelo Gazos, que deu o acabamento a todo o projeto.? Em todo o percurso da exposição, que Arthur Omar prevê durar entre duas e três horas, há música eletrônica, composta especialmente para cada peça exposta. ?Componho desde os anos 70, fazendo trilhas sonoras para vídeos e documentários meus e dos outros, mas este é um lado que deixei pouco à vista?, diz o artista. ?Por isso, esta exposição terá dois subprodutos, um CD duplo e o catálogo, com todas as imagens que trabalhei para chegar a este resultado e textos de especialistas?.

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