Arthur Omar abre retrospectiva no Rio

O Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) do Rio vai ser invadido pela arte de Arthur Omar. Ele abre nesta sexta-feira a retrospectiva A Lógica do Êxtase, reunindo seus filmes e vídeos desde os anos 70 até hoje e lança o catálogo da mostra, em que reprocessa cerca de 800 imagens e as envolve com textos de sua autoria. Junto, ele inaugura a instalação Fluxus, misturando fotografia e vídeo, e no sábado, dia 26, fecha o ciclo de palestras Fronteiras da Arte, também no CCBB, debatendo sua obra com críticos e pesquisadores.Apesar de viver no Rio desde criança, esta é sua primeira retrospectiva na cidade. "Não sei por que demorou tanto, se já fizeram uma até no Museu de Arte Moderna, de Nova York. Apesar da boa acolhida, acho que aqui as coisas são mais difíceis", comenta ele. "Prefiro chamar esta mostra de retrospectiva prospectiva, porque reúne desde os mais antigos trabalhos, do início dos anos 70, até outros que estou concluindo agora."De temas variados, o que dá unidade às obras é a constante preocupação de Omar em encontrar novos ângulos para mostrar a realidade. "Sempre trabalhei com a contextura da imagem que, para mim, nunca é um fim em si, mas um meio para chegar a outro resultado", teoriza ele. "Por isso, uma mesma foto, filmagem ou gravação pode resultar em muitos outros trabalhos, porque é reprocessada em outros suportes."A curadora da mostra, Ivana Bentes, manteve esses suportes e organizou as exibições de uma hora e meia (às 12h30, 17 e 18h30), de acordo com o tema. "A maioria do material é inédita, especialmente no Rio, porque foi apresentado em festivais ou programas de TV, uma só vez", adianta ela. O trabalho mais antigo é o curta Serafim Ponte Grande, de 1971 e o mais recente, vídeo Azzuro Amazzonia, de dez minutos, do ano passado, resultado de uma das muitas viagens que fez a partir de 1999.Seu interesse pela Amazônia continua a pleno vapor e já se prepara para mais uma viagem no fim de junho, quando pretende fazer um documentário sobre a festa do Boi de Parentins.Para o catálogo A Lógica do Êxtase, o artista reviu cerca de 5 mil imagens de seu arquivo e escolheu 800 para reprocessá-las, dando-lhes outro contexto. "Nesse sentido, é um catálogo inédito, não um mero leque das imagens que já produzi, mas uma nova iconografia a partir delas."Em breve, ele quer lançar em São Paulo o catálogo e expor a instalação Fluxus. "É a cidade onde meu trabalho tem melhor receptividade e já estou em contato com instituições que possam abrigar mais estas obras", diz.

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