Arte sem barreiras entre o público

Mostra discute a vanguarda que no século 20 mudou o 'fazer' artístico

Elder Ogiari, O Estado de S.Paulo

26 de maio de 2010 | 00h00

PORTO ALEGRE

O Santander Cultural de Porto Alegre reuniu videoinstalações, vídeos, objetos, fotos, filmes e livros que remetem ao "fazer" de 16 artistas que modificaram concepções e influenciam a cena cultural contemporânea desde os anos 60 e 70 do século passado na mostra Horizonte Expandido, que começa hoje e segue até 15 de agosto. A mostra conta com obras dos norte-americanos Allan Kaprow, Bruce Nauman, Chris Burden, Dan Graham, Dennis Oppenheim, Gordon Matta-Clark, Nancy Holt, Robert Smithson e Vito Acconci, do brasileiro Hélio Oiticica, da cubana Ana Mendieta, do holandês Bas Jan Ader, do alemão Joseph Beuys, da sérvia Marina Abramovic, do austríaco Valie Export e do argentino Victor Grippo. Assim como era intenção dos autores, suas obras e registro delas seguem convidando o público a participar e se manifestar.

Após apreciar a exposição, o visitante poder discuti-la com mediadores e até com os curadores André Severo e Maria Helena Bernardes, no hall de entrada e saída do edifício. Ambos são do Projeto Areal, que há dez anos investiga a experiência direta entre artista e público a partir de incursões pelos campos, praias e lagoas, e do contato direto com moradores do litoral sul gaúcho, ambiente considerado por eles "símbolo dos limites cada vez mais imprecisos na arte como disciplina na atualidade". Essa busca já foi registrada em filmes e livros.

"A idéia é convidar todos a pensarem com a gente a criação desses artistas que colocaram questões com que a arte trabalha até hoje", explica Severo. "Eles viveram uma espécie de crise feliz em busca da interlocução direta com seu contemporâneo, o vizinho, o transeunte", acrescenta Maria Helena. É o caso de Beuys, criador da "escultura social", da qual qualquer pessoa podia participar sem depender das habilidades requeridas pela arte tradicional. E Kaprow, inventor do happening, que considera toda situação ou local adequados à arte com participação ativa do público.

Assim, Horizonte Expandido não se presta apenas à contemplação, mas promove uma espécie de encontro dos artistas com o público. Embora sem a presença física deles, de todos se vê o rosto e se ouve a voz.

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