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Arte pobre alcança pirâmide do Louvre

Para fazer uma crítica ao capitalismo, italiano Michelangelo Pistoletto faz intervenção inédita na estrutura de cristal

JAVIER ALBISU / EFE, O Estado de S.Paulo

27 de maio de 2013 | 02h06

O italiano Michelangelo Pistoletto, um dos fundadores da 'Arte Povera' (arte pobre) nos anos 1960, espalhou pelo Museu do Louvre, em Paris, suas criações à base de objetos do cotidiano e espelhos para fazer uma crítica ao consumismo, utilizando um dos templos universais da cultura.

Sobre a pirâmide de cristal do museu, obra do arquiteto Ieoh Ming Pei que se ergue sobre o imponente pátio Napoleão, Pistoletto instalou uma de suas marcas como artista: um enorme símbolo de espelhos, com um traço similar ao que representa o infinito, só que com três anéis.

Com o nome de Terceiro Paraíso, a obra marca a primeira vez que o museu convida um artista a trabalhar sobre a estrutura de cristal, elemento tão característico quanto controverso, construída há cerca de 30 anos.

A obra de Pistolleto aponta para o distrito de negócios de La Defense, região onde se localizam os arranha-céus de Paris, e pretende ser uma crítica ao capitalismo e ao consumismo que estão acabando com o planeta, explicou o artista, durante a inauguração de sua exposição Ano 1, o Paraíso Sobre a Terra, que ficará em cartaz até o dia 2 de setembro, no museu de arte mais visitado do mundo.

"No Primeiro Paraíso, a humanidade estava totalmente integrada à natureza. No Segundo Paraíso, os seres humanos se separaram da natureza, o que nos conduziu ao mundo artificial que conhecemos hoje, com consequências desastrosas para o planeta. Nesse Terceiro Paraíso, concebi uma união equilibrada e pacífica entre o paraíso natural e o paraíso artificial", resume o italiano.

Depois de passar pela pirâmide e adentrar em um museu frequentado por cerca de 30 mil pessoas diariamente, o visitante poderá encontrar obras de Pistoletto em diferentes salas e vê-las participar de "um diálogo com a História da Arte, desde a antiguidade até os nossos dias", explicam os responsáveis pelo Louvre. A famosa tela da Monalisa também foi incluída nesse percurso.

"Os museus foram concebidos para abrigar objetos provenientes de conquistas e de saques, mas também são lugares onde se encontram diferentes culturas e civilizações. Representam, portanto, um lado negativo, a violência, e outro positivo, o conhecimento do outro," acredita Pistoletto.

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