Arte para resgatar a identidade do índio

O índio, ponto nevrálgico da questão amazônica, é tema de núcleo especial no Museu Vale. São só quatro artistas, mas eles expõem as entranhas do problema. Antigamente Fomos Muitos, vídeo de Armando Queiroz, coloca o dedo na ferida do extermínio e da omissão em relação ao índio com depoimento filmado do índio Almires Martins, que possui pós-graduação mas mantém um vínculo profundo com as questões de seu povo. Ele não olha a câmara, como se estivesse se recusando a compactuar. Fala da ganância, acusa a mídia de mostrar apenas o índio morto, bêbado. "O índio é invisível para esse mundo. Nosso direito não existe", acusa.

Maria Hirszman, O Estado de S.Paulo

06 de julho de 2010 | 00h00

Perto do vídeo está o trabalho de Cildo Meireles, Zero Dolar. Segundo o idealizador da mostra, Paulo Herkenhoff, Meireles é um dos primeiros, ao lado de Claudia Andujar, a "representar o índio, saindo do enfoque meramente antropológico para dar-lhe subjetividade". Nesta obra, o artista substitui as ilustrações da nota de dinheiro por figuras de um índio e de um louco, criando crítica potente ao contrapor exclusão social e fetiche da moeda.

Em seguida, estão desenhos de grande carga mítica (foto) de autoria de Orlando Manihipi-theri Yanomami, morto aos 17 anos de sarampo. A preocupação com a saúde dos índios está também em Marcados, série de Claudia Andujar, conjunto de retratos dos anos 80 feitos para mapear ianomâmis que haviam sido imunizados com vacinas. Em comovente texto, ela compara o exercício de identificar (para salvar) os índios nessa campanha, com outro tipo de marcação, feita com uma estrela amarela, que viu na juventude na Hungria, imposta pelos nazistas aos judeus que seriam mortos.

A REPÓRTER VIAJOU A CONVITE DA PRODUÇÃO DA MOSTRA

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