Arte moderna e fotografia

O crítico francês Jean-François Chevrier vai estar em encontro hoje no Rio e sábado em São Paulo

SIMONETTA PERSICHETTI, ESPECIAL PARA O ESTADO, O Estado de S.Paulo

29 de março de 2012 | 03h11

Procurar entender como a fotografia influenciou e até mesmo determinou o mundo das artes na modernidade e qual seu papel dentro da contemporaneidade. Preocupações que vem envolvendo o historiador de arte francês e crítico de fotografia Jean-François Chevrier, professor da Escola Nacional de Belas Artes em Paris, há quase 30 anos desde quando, no começo dos anos 80, a fotografia começou a ser discutida teoricamente com mais ênfase por pensadores da área da semiótica e da cultura e aos poucos escorregou do que os franceses gostam de chamar de "sem arte para a arte".

São os assuntos que o professor vem discutir aqui no Brasil - a convite do Instituto Moreira Salles - hoje, no Rio, onde falará sobre Arte Moderna e Fotografia: Entre as Belas Artes e os Meios de Comunicação e no sábado, em São Paulo, vai falar sobre Obra de Arte e Atividade, abordando a redefinição do conceito de arte a partir da invenção da fotografia. Apaixonado por literatura e fotografia, já escreveu ensaios sobre Roland Barthes, Marcel Proust e Walter Benjamin, além de analisar fotógrafos como Raoul Hausmann, Walker Evans, Brassaï, Robert Doisneau, Bernd e Hilla Becher, entre outros. Chevrier atualmente prepara exposição sobre arte moderna para o Museu Nacional Centro de Arte Reina Sofia, em Madri. Publicou recentemente uma monografia sobre o fotógrafo canadense Jeff Wall (Paris: Hazan, 2006) e uma edição ampliada de seu livro de 1982, Proust et la Photographie (Paris: L'Arachnéen, 2009). Do Rio, onde se encontra desde o início da semana falou por telefone com o Estado:

O senhor vai abordar em suas palestras a fotografia entre a arte e os meios de comunicação, a fotografia e modernidade. Como se dá essa relação?

A fotografia aparece como uma técnica de produção de imagens. Não é inicialmente ligada à arte, mas é vista num primeiro momento como um aparato de difusão de conhecimento. Uma época, metade do século 19, em que vamos ter de um lado o que se chamava de belas artes e de outro a difusão do conhecimento, que é uma ideia de iluminação, de modernidade. A fotografia se adapta muito bem a este princípio, está desde o início entre a mídia e a arte. Considero que a arte moderna se definiu com a fotografia a partir desta situação intermediária. A fotografia está nos dois campos e a arte moderna também. Aliás, está ligada ou ao lado de várias formas de expressão.

A fotografia foi considerada o grande meio de expressão do século 20 e se reforça este pensamento no século 21. Por quê?

Quando olhamos para a fotografia a partir do mundo da arte, ficamos estupefatos pela força dos argumentos e de como ela mudou a forma de pensar o mundo. E este espanto permanece por todo o século 20. A fotografia influencia positivamente e negativamente a arte. Esta foi a grande questão, definir a relação entre fotografia e arte. Mas não se trata de entender a fotografia como arte, mas a arte como fotografia. Revertemos a questão. E isso é formidável. Não me interessa saber se a fotografia é reconhecida como arte, mas sim entender como a arte moderna se constituiu por meio da fotografia. Adoro fotografia, mas minha área de estudo é a arte moderna.

O senhor conhece algo da

fotografia brasileira?

Sim, mas conheço mais os históricos, não conheço muito da produção contemporânea.

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