Arte moderna brasileira vai a leilão

O segundo leilão da Bolsa de Artes de2002, que ocorre nesta terça-feira, às 21 horas, no CopacabanaPalace, vai medir como o mercado reage à atual crise financeira.São 152 lotes, a maioria de arte moderna brasileira, mas pelaprimeira vez aparecem fotografias de três estrelas: Vik Muniz,Miguel Rio Branco e Mario Cravo Neto. "Isso significa que elesjá têm um mercado consolidado e deixaram de vender apenas emgalerias, exposições ou ateliês", explica Jones Bergamin,presidente da Bolsa de Artes.Segundo ele, em momentos de instabilidade do mercado financeiro,os investidores voltam-se para as obras de arte, ativos cujavalorização pouco altera, especialmente os artistas modernosbrasileiros. "Foi assim em crises anteriores, mas só depois doleilão será possível saber se essa tendência se repetirá",ressaltou Bergamin. "Isso também começa a ocorrer com algunsartistas contemporâneos, como Adriana Varejão, Tunga, BeatrizMilhazes, Carlos Vergara e Roberto Magalhães."Neste leilão, há três obras dos dois últimos, um óleo sobre telasem título de Vergara (avaliado entre R$ 25 mil e R$ 35 mil) eduas aquarelas sobre papel de Magalhães, sendo um deles da sérieEnvelopes, Cabeça da Múmia de Fulano de Tal, avaliado entreR$ 8 mil e R$ 10 mil. "Temos também uma escultura de Krajcberg,Raízes (entre R$ 70 mil e R$ 90 mil); um óleo sobre tela deSiron Franco, Retrato Acadêmico (entre R$ 35 mil e R$ 45mil); e um Daniel Senise, Home (entre R$ 60 mil e R$ 80 mil) também contemporâneos e muito valorizados", avisa o presidenteda Bolsa.Entre os modernos brasileiros, os quadros mais bem cotados sãoum óleo sobre tela de Di Cavalcanti, Menina de Paquetá(entre R$ 250 mil e R$ 350 mil), e uma marina de Pancetti (entreR$ 150 mil e R$ 280 mil). Os viajantes estrangeiros que pintaramo País na virada do século 19 continuam em alta. Nesse pregão,há o óleo sobre tela Rio de Janeiro visto de Petrópolis(entre R$ 79 mil e R$ 90 mil) e uma paisagem rural deWeingärtner, oferecida entre R$ 80 mil e R$ 120 mil. "Estasobras são valiosas porque mostram algo que já não existe mais,como a paisagem da Rio-Petrópolis", conclui Bergamin.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.