Arte latino-americana reina em Nova York

Recorde do leilão na Christie's é do colombiano Botero

TONICA CHAGAS, ESPECIAL PARA O ESTADO, NOVA YORK, O Estado de S.Paulo

17 de novembro de 2011 | 03h08

Com valores até cinco vezes maiores que os da estimativa mais alta que tinham, obras de Alfredo Volpi (1896-1988), Antonio Bandeira (1922-1967), José Pancetti (1902-1958), Hércules Barsotti (1914-2010) e Franz Weissmann (1911-2005) alcançaram recordes de preço para seus autores no principal leilão de arte latino-americana da Christie's de Nova York esta semana. "A arte brasileira brilhou esta noite", comemorou Virgilio Garza, chefe do departamento responsável pelas vendas, no fim da sessão na terça. Quatro dessas obras - três delas vindas da coleção da Olivetti do Brasil - ficaram entre os dez lotes arrematados pelos preços mais altos. Segundo Garza, "isso prova que há um tremendo interesse em arte brasileira e por trabalhos que são frescos no mercado, com estimativas competitivas".

Bandeirinhas Estruturadas, uma têmpera sobre tela que Volpi pintou por volta de 1966, registrou o quarto maior preço da noite. Avaliado entre US$ 250 mil e US$ 350 mil, o quadro foi disputado por dois compradores via telefone, alcançou US$ 700 mil no martelo e, acrescido da comissão da Christie's, saiu por US$ 842,5 mil. O recorde anterior para um Volpi em venda pública era de outra têmpera, de 1960 e com o mesmo tema que distingue o pintor, adquirida por US$ 192 mil também na Christie's, em novembro de 2005.

O valor mais alto do leilão de anteontem foi pago por um colecionador europeu pelo bronze Dancers (2007), de Fernando Botero; avaliada entre US$ 1,5 milhão e US$ 2 milhões, a escultura foi comprada por US$ 1,76 milhão (incluída a comissão da Christie's), marcando recorde para esse tipo de trabalho do artista colombiano. Dancers foi seguido em preço por outro casal de dançarinos de Botero, um óleo sobre tela de 1982, vendido para marchands sul-americanos pelo valor final de US$ 986,5 mil. Vaca Roja (1975), óleo e areia sobre tela de Francisco Toledo avaliado entre meio milhão e US$ 700 mil, também marcou recorde de preço para obra do mexicano ao ser vendido por US$ 902,5 mil.

Dois dos lotes - e recordes para seus pintores - mais aplaudidos foram os óleos sobre tela Blue Streets, que Bandeira pintou em Londres, em 1955, e Abaeté (Série Bahia, n.º 28), um Pancetti de 1957. O primeiro, que pertencia a um colecionador londrino e era estimado entre US$ 60 mil e US$ 80 mil, entrou na lista dos dez preços mais altos com o valor final de US$ 482,5 mil pago por um comprador representado pela própria Christie's; Abaeté, oferecido por uma coleção particular americana segundo indicou a casa, foi uma das obras com maior número de interessados e, comprada por telefone, multiplicou a estimativa de US$ 60 mil a US$ 80 mil para o preço final de US$ 362,5 mil.

Vindo da coleção da Olivetti como o quadro de Volpi, o óleo sobre tela de Di Cavalcânti O Homem e a Máquina (1966) ilustrou a capa do catálogo da Christie's e também entrou na lista dos dez mais: cotado entre US$ 200 mil e US$ 300 mil, foi adquirido por telefone por US$ 386,5 mil. Da coleção da Olivetti saíram mais dois recordes: para o escultor austro-brasileiro Weissmann, com Estructura (1969), estimada entre US$ 60 mil e US$ 80 mil, comprada por US$ 386,5 mil e um dos lotes na lista dos dez maiores preços; e para Barsotti, com a acrílica sobre tela de 1966 Losango - Proposição Multilegível I, avaliada entre US$ 40 mil e US$ 60 mil e adquirida por US$ 170,5 mil em lance por telefone feito pelo mesmo comprador que levou o Volpi.

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