Arte dekassegui chega ao Brasil

A necessidade de sentir-se mais integrado com outros brasileiros residentes no Japão fez com que o artista plástico Osni Branco lançasse, há cinco anos, o projeto Encontro de Arte. O objetivo era ensinar artes plásticas aos popularmente chamados de dekassegui, brasileiros que vão para o país oriental em busca de trabalho. O que começou com uma oficina de arte dirigida para 12 pessoas em Nagóia, região central do Japão, é hoje um trabalho em conjunto com cerca de 130 brasileiros em cinco cidades japonesas. Mais do que isso. O trabalho de Branco junto aos dekassegui ? ele não gosta dessa denominação porque a considera preconceituosa ? resultou em quatro exposições de arte apresentadas em terra estrangeira. Agora, chegou a vez de o Brasil conhecer a arte que é produzida lá fora pelos filhos da "Pátria Amada".Oitenta obras de 39 brasileiros que residem no Japão podem ser conferidas a partir do dia 2 no Clube Homs, na capital paulista. São fotos, pinturas, esculturas, gravuras, desenhos e desings produzidos durante reuniões do projeto Encontro de Arte. Branco, além de ser o mentor do projeto, assina também a curadoria da mostra, em cartaz em São Paulo até o próximo dia 15.Ele comenta que há intenção de levar a exposição, intitulada Re-Torna-Cor-Ação: Novos artistas brasileiros no Japão, para outras cidades do País. "Se houver patrocínio, gostaríamos de que a mostra pudesse ser itinerante", diz o artista plástico, de 53 anos, 31 deles dedicados à arte. "É importante que as pessoas saibam o que de bom os brasileiros fazem fora do Brasil e não apenas tenham conhecimento quando alguém comete um crime lá fora", continua.Branco, que reside no Japão há 13 anos, conta que até iniciar o projeto nunca havia sentido vontade de realizar workshops ou oficinas de arte. "A necessidade veio após anos no Japão, onde em geral os brasileiros sofrem para adaptarem-se, já que lá a vida é muito de casa para o trabalho e do trabalho para a casa", diz.O artista plástico, um dos 250 mil brasileiros que residem no Japão, comenta que os jovens artistas ? em sua maioria nunca haviam feito arte antes ? extravasam sentimentos reprimidos por viverem em um país diferente. "O trabalho resgata a identidade e mais do que qualquer coisa é essencialmente social", defende.Branco comenta que os brasileiros que fazem parte da oficina de arte tem idade entre 13 e 65 anos e em geral trabalham em fábricas de peças automotivas e eletro-eletrônicas.Expositora - Raisa Starikoff, de 45 anos, não vive mais no Japão. Chinesa e filha de russos, ela mora no Brasil, mas passa longas temporadas no país oriental por causa do marido, que trabalha do outro lado do mundo. Em uma dessas temporadas, ela conheceu o trabalho encabeçado por Branco e passou cerca de oito meses em contato com a arte. Raisa está entre os 39 artistas que vão expor na mostra em São Paulo. São dela duas pinturas que retratam a natureza. Quando questionada sobre o que a levou às oficinas, responde rapidamente. "No Japão é muito forte a rotina casa trabalho, trabalho, casa. Sentia a necessidade de integração. Acabei trazendo à tona sentimentos adormecidos", comemora.Serviço - Re-Torna-Cor-Ação: Novos artistas brasileiros no Japão. De 2 a 15 de junho, diariamente das 10 às 21 horas no Club Homs, na Avenida Paulista, 735, entrada franca. Informações pelos telefones: 0_ _11 - 289-4088 ou 289-4486

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