Arte de Siron Franco ocupa o Carandiru

Entre tantas janelas, sanitários,pias, grades, todos os restos do que foi a Casa de Detenção deSão Paulo, no Complexo do Carandiru, marcado para ser demolida ese transformar em um espaço cultural, o artista Siron Francoidealizou uma instalação: dispor de modo retilíneo, enfileirado,portas de celas do presídio, todas marcadas com os desenhosfeitos pelos presos. Essa obra, que poderá ser vista a partir deamanhã na antiga Casa de Detenção, reúne 111 portas,maneira de remeter de modo bem explícito ao massacre de 1992.A instalação foi montada no pátio do pavilhão 2, localonde os detentos tomavam sol. Siron Franco não fez nenhum tipode intervenção nos desenhos e colagens que remetem a ícones doimaginário e do cotidiano dos presos. Paisagens, imagens desantos e de Cristo, objetos, comentários e até uma menção aoterrorista Osama Bin Laden são alguns dos temas explorados pelosdetentos nas portas que pesam cerca de 200 quilos e que foramretiradas das celas do pavilhão 5.Foi também com uma instalação intituladaIntolerância, que Siron Franco inaugurou, no começo de julho, o Memorial da Liberdade abrigado no antigo prédio doDepartamento de Ordem Pública e Social (Dops), em São Paulo.Agora, é também com uma instalação, Portas, que o artistaplástico inaugura um novo espaço cultural, o Parque da Juventude, no recém-desativado Carandiru, já em processo de preparaçãopara ser implodido.Além dessa instalação, o público também poderá ver umaexposição de fotografias e objetos, uma maneira de mostrar ahistória do que foi o maior presídio da América Latina. Asvisitas são gratuitas e só serão feitas pelos pavilhões 2 e 7,sempre com a presença de monitores da Secretaria de Estado daCultura e da Administração da Penitenciária de São Paulo.Durante essas visitas, realizadas em grupos, é permitido usarcâmeras fotográficas e filmadoras.Siron Franco. De terça a domingo, das 10 às 16h30.Parque da Juventude. Avenida Cruzeiro do Sul, 2.630, São Paulotel. 6221-3001. Até 20/10.

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