Arte de rua ganha evento no Sesc Consolação

O metrô rouba o lugar da boléia de caminhão. O cantor e bailarino Sérgio Rocha salta do vagão e chega na Praça da Sé com a roupa dobrada na mochila. Um dos bancos da praça serve de camarim para Rocha e sua parceira, a bailarina Cláudia Christ. Ela saca o espelho e a maquiagem da bolsa e se transforma em uma cabrocha. Os rodopios pelas calçadas pouco conservadas da Sé atraem curiosos, dispostos a participar da encenação. "Dá um beijo no velho!", grita um senhor. "Deixa eu ver esse pandeiro?", pede uma mulher que se aproxima da dupla, curiosa. "É preciso ter muito jogo de cintura para trabalhar em um lugar assim", observa Rocha. E se a cultura de praça ganhasse um endereço, digamos, mais tranqüilo? É o que pretende o Sesc Consolação, que importou os principais artistas da Sé para o projeto Marco Zero, em cartaz de hoje até dia 31, em comemoração aos 450 anos da capital. Além de bailarinos como Rocha e Cláudia, participam do circuito ventríloquos, mágicos, repentistas, atores, cantores e performers itinerantes. "A principal dificuldade da arte de rua é encontrar dramaturgos específicos. Precisamos de gente que escreva considerando o barulho do carro, a interferência de quem mora no local, do cachorro que late", diz Marcos Pavanelli, o diretor da companhia circense Pavanelli, que se apresenta no Marco Zero com um espetáculo chamado O Básico do Circo.As dificuldades inerentes à arte de rua dividem opiniões dentro da própria categoria. "É igual maré: um dia vai, outro dia vem. A gente nunca sabe o que vai sobrar de troco no final", diz o repentista pernambucano Ivan Embolador, que com 23 anos de profissão prefere se apresentar em teatros. "Neles, nunca saio com menos de R$ 1.000", diz. Já o ventríloquo Wilson Vasconcelos não confia em resultados de bilheteria. "Para viver disso, com certeza de retorno garantido, é preciso ter muita estrada na profissão. Vender espetáculos para prefeituras, unidades do Sesc e festivais é mais negócio. Além disso, gosto de estar perto das pessoas. O show de rua tira o artista de cima do palco e o coloca no nível das pessoas. A sensação é ótima", diz.

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