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Arte de rua da dupla osgêmeos ocupa museu de Lisboa

Irmãos Otávio e Gustavo Pandolfo abrem mostra 'Pra quem mora lá, o céu é lá', no Museu Coleção Berardo

25 de maio de 2010 | 05h00

Jair Rattner, especial Para o Estado

 

LISBOA - Os artistas plásticos paulistanos osgêmeos abriram na semana passada, no Museu Coleção Berardo, em Lisboa, a mostra Pra quem mora lá, o céu é lá, com obras dos irmãos Otávio e Gustavo Pandolfo, em cartaz até setembro. "É a nossa primeira vez num museu", conta Gustavo. No ano passado, a dupla mostrou sua produção do lado de fora da Tate Gallery, em Londres.

São duas salas com suas obras. Na primeira, do lado direito, há três pinturas. Do lado esquerdo, uma instalação com caixas de som com bocas, olhos e ouvidos pintados e na frente instrumentos que podem ser tocados por qualquer visitante - guitarra, baixo, bateria e teclado.

 

Na outra sala, dois painéis ocupam toda a parede, com 6 metros de altura por 16 comprimento. De um lado, portas velhas pintadas cada uma com tema diferente. "As portas estão relacionadas com o passar para outro patamar", explica Gustavo. Na parede do outro lado, há o que os dois chamam de chão: uma base com tábuas e portas com pinturas diversas. Presas na parede, a uns 4 m de altura, estão duas pequenas casas deitadas.

 

No fundo da segunda sala, uma pequena casa, com um quarto que tem cama com travesseiro. As paredes e o teto são espelhados. Um ambiente convida a sentar ou a até deitar na cama.

 

Segundo o curador da exposição, o francês Eric Corne, as pinturas fazem uma mistura de estilos brasileiros. "São obras que sintetizam muitas experiências: a cultura hip-hop, a arte primitivista do País e algumas das pinturas lembram Guignard, Volpi e Portinari."

 

Sobre a forma como osgêmeos se apropriam dos estilos de outros artistas, ele cita o Movimento Antropofágico, criado pelos modernistas brasileiros. Segundo Corne, apesar de terem vindo da arte de rua, eles não estabelecem fronteiras no tipo de trabalho, passando a outras linguagens. "Eles tem uma dimensão de sonho, com poesia e preocupação social", informa.

 

Vindo do grafite, os dois irmãos se irritam quando alguém fala que estão trazendo essa forma de arte para os museus. "Não tem nada a ver. O que está na rua é da rua. A gente não concebe as obras da mesma forma. O grafite tem que manter o clima de rua, o anonimato", diz Corne. É a segunda vez que eles estão em Portugal. Em 1997, na primeira viagem, deixaram uma pintura no muro de uma escola em Carcavelos, a 15 quilômetros de Lisboa.

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