Arte de Rosângela Rennó abre instituto

Além da mostra retrospectiva das obras de Tomie Ohtake, a inauguração do instituto cultural terá como destaque uma exposição da artista plástica Rosângela Rennó, convidada pelo curador do instituto, Agnaldo Farias. A artista diz que essa é sua primeira grande mostra em São Paulo. Para tanto, apresenta três de seus trabalhos: sua recente videoinstalação Espelho Diário; a série de fotografias digitais monocromáticas Vermelha; e a obra Hipocampo, esta última a pedido do curador do Instituto Tomie Ohtake.Segundo Farias, uma das preocupações do novo centro cultural é promover o debate sobre a produção artística contemporânea. Desse modo, ele considera Rosângela uma grande artista em evidência nacional e internacional, que trabalha com a questão da imagem e faz experimentações em novas mídias. Colocá-la ao lado de Tomie Ohtake é uma forma de honrar o trabalho da homenageada que "sempre se destacou pelo risco e pela ousadia de suas obras", como explica o curador.E outro aspecto que ele ressalta é a opção por uma mulher, para lembrar da dificuldade das mulheres de se dedicarem com exclusividade à arte. "A própria Tomie só conseguiu se dedicar à arte depois dos 40 anos", diz. "Ainda é difícil ser mãe, dona de casa e artista." Mas esses são "aspectos periféricos" da questão, como define o curador. O mais importante é o trabalho de Rosângela Rennó, uma artista consagrada que trabalha com novas fronteiras da arte.Sobre os trabalhos de Rosângela, a mais recente é a videoinstalação Espelho Diário, terminada em 1999. De 1992 a 1998, a artista foi recortando textos de jornais que tinham sempre notícias sobre Rosângelas de todo o País. Foram 133 Rosângelas no total e todos os textos foram entregues a Alícia Duarte Penna, que foi responsável pela configuração de uma personagem fictícia a partir de todas as notícias recolhidas. A partir disso, foi feito um vídeo com um monólogo da personagem falado pela artista. São duas horas de vídeo e há dois projetores. "É sobre a construção de um diário que você pode supor ser uma autoreferência, pois sou homônima à personagem, mas não é. É uma narração ou uma memória do futuro", diz Rosângela.Outro trabalho é Hipocampo, que já foi exposto em 1995 na então Galeria Camargo Vilaça. A obra traz textos pintados na parede em tinta fluorescente, todos os textos jornalísticos que falam sobre a fotografia, "a relação do indivíduo com a imagem", explica Rosângela. Para completar, a artista utiliza um temporizador que em um período de um minuto deixa as luzes da sala acesas e por dois minutos e meio provoca um blecaute, momento em que se consegue ler o que está escrito nas paredes. Agnaldo Farias considera essa obra "brilhante" e destaca o "aspecto trapezoidal" dos textos, "um efeito que subverte a verticalidade da parede". "Os textos se convertem em imagens efêmeras", analisa o curador.E, por fim, a série Vermelha, que será apresentada de modo completo pela primeira vez. São 15 fotografias do arquivo pessoal de Rosângela que foram retrabalhadas em processo digital e trazem jovens e adultos vestidos com uniformes militares. A cor vermelha das fotografias remete diretamente ao "militar banhado de sangue", como explica a artista.Serviço - Rosângela Rennó. De terça a domingo, das 11h às 20h. Instituto Tomie Ohtake. Rua Coropés, 88. Até 3/3. Abertura nesta quarta-feira, às 20 horas, para convidados.

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