Arte de gente grande

Cinco profissionais do teatro infantil contam suas experiências e seus desafios ao lidar com crianças

Dib Carneiro Neto, Editor do 'Caderno 2', O Estado de S.Paulo

24 de maio de 2010 | 00h00

Elenco da peça 'O Travesseiro'; Virginia (esq.) fala da arte de interpretar para os pequenos 

 

SÃO PAULO - Cada vez mais, os profissionais que atuam no teatro infantil e jovem circulam pelas mais variadas áreas das artes cênicas e se preparam com afinco e talento para derrubar os tabus e preconceitos que ainda prejudicam o setor. Nesta edição, escolhemos cinco profissionais "em pleno momento de vigor criativo" para conversar sobre seus ofícios e os desafios de fazer a nova geração se interessar por peças teatrais de censura livre.

 

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Todos estão com excelentes espetáculos em cartaz, de um nível que faz frente a qualquer produção, incluindo as atrações para adultos. O autor e diretor, Leonardo Moreira, de Cachorro Morto, fisgou o interesse dos jovens com um tema árduo: a síndrome de Asperger. Um cenógrafo, Beto Andreetta, da cia. Pia Fraus, encanta pais e filhos com uma solução cênica surpreendente, em Filhotes da Amazônia. Um figurinista, Leo Diniz, faz todo mundo querer subir ao palco para "passar as mãos nas roupas", em O Poeta e as Andorinhas. Um compositor de trilhas sonoras, Daniel Maia, usa a música como a principal força dramática de um imperdível espetáculo sem palavras, Rabisco. E a atriz Virginia Buckowski dá seu tocante depoimento de intérprete que ousa falar de morte para crianças, no corajoso O Travesseiro.

"O importante é considerar que existem outras formas de perceber o mundo além da nossa", diz Leonardo Moreira. "No caso de Cachorro Morto, o espetáculo partiu da minha experiência pessoal, da minha inadequação durante a infância e de como isso determinou a minha forma de perceber o mundo."

"Às vezes, eu acho uma pena que a distância entre o palco tradicional e o público, principalmente o infantil, seja tão grande. E uma das maiores recompensas que tive com meu trabalho foi escutar de um espectador que ele havia passado o tempo inteiro do espetáculo com vontade de tocar os figurinos", conta o figurinista Leo Diniz.

"O Travesseiro é a primeira peça infantil do meu grupo, a Velha Companhia, e a terceira que faço nesses 16 anos de teatro profissional. Nunca tive a real necessidade de falar ao público infantil e tinha até medo de ser catalogada. Essa vontade veio com a morte da minha irmã, o que deixou meus dois sobrinhos pequenos com aquele olhar de "e agora?" Sinto que eles precisam conversar sobre a perda, e a arte é um veículo prazeroso para isso", declara a atriz Virginia Buckowski

Cada qual com sua função e com seus depoimentos sinceros e pessoais, esse time de entrevistados nos contempla com um panorama atualizado de como se consegue fazer teatro para menores numa cidade cheia de atrativos culturais como São Paulo.

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