Arte brasileira vende bem e indiana estreia na Arco

A 28.ª Arco - Feira Internacional de Arte Contemporânea de Madri foi inaugurada hoje

Camila Molina, enviada especial de O Estado de S. Paulo,

12 de fevereiro de 2009 | 16h48

O clima de crise econômica é sentido pelo mercado de arte com mais intensidade na Europa do que no Brasil, pode-se dizer. "Recessão, aqui, é uma palavra mais forte", diz, como galerista e economista Eduardo Leme no estande de sua galeria - com destaque para as obras de Marcelo Moscheta e Sandra Gamarra - dentro da 28.ª Arco - Feira Internacional de Arte Contemporânea de Madri, inaugurada oficialmente nesta quinta, 12, com a presença dos Príncipes de Asturias (Felipe e sua mulher Leticia) - é a primeira vez, desde a criação do evento, que não há a abertura com os rei Juan Carlos II e com a rainha Sofia. "A crise se impactou mesmo, mas tivemos algumas vendas sim e há bastante curiosidade", afirma Daniel Roesler no eclético estande da Galeria Nara Roesler, com obras de artistas de gerações e nacionalidades diversas como Amelia Toledo, Antonio Manuel, Julio Le Parc, Laura Vinci e Rodolpho Parigi, por exemplo.Veja também: Galeria de fotos Arco abre a janela para a produção da Índia É curioso como que sobre o cenário no Brasil, galeristas dizem não ter sentido ainda nenhum tipo de retração. "Não vejo diferença entre antes e depois da crise", afirma Raquel Arnaud, no caso dela, se referindo que tanto ao seu gabinete de arte em São Paulo quanto na própria Arco. Em seu estande na feira, com obras de artistas consagrados e de linha construtiva como Cassio Michalany, Célia Euvaldo, Athur Luiz Piza e Sergio Camargo, por exemplo, Raquel afirma que não pode se queixar, que seis obras de Waltercio Caldas foram vendidas já no primeiro dia. Já Flávio Cohn, da Dan Galeria, com peças de Jesus Soto, Lygia Clark, Geraldo de Barros e Macaparana, afirma que as vendas nesta Arco superaram expectativas. "Estão acima do que esperávamos. Colecionadores acham que é uma comunidade, um refúgio as obras dos artistas consagrados", completa Cohn, reforçando o perfil da Dan. "Não se vê nesta Arco grandes apostas, está todo mundo jogando pela segurança", afirma Daniel Roesler. Mas é natural que agora se sinta a feira, uma das mais tradicionais e antigas, um pouco mais lenta, em clima de contensão.No total, a Arco, que tem a Índia como país homenageado e fica aberta até segunda-feira, conta com a participação de 238 galerias de 32 países, entre elas 79 espanholas, 7 brasileiras e 13 indianas. Houve uma redução natural no número de galerias este ano em relaçao ao ano passado, o que contribuiu, também, para que a feira ficasse mais limpa e com possibilitando mais espaço para os expositores de obras de arte - grande maioria fotografia e pintura do campo da figuração - ao longo dos pavilhões 6, 8 e 10 do parque ferial IFEMA, na capital espanhola.Até mesmo o Panorama Índia sofreu com a crise. "Estamos tendo muitas visitas, as pessoas estão gostando, principalmente, mais das pinturas, mas as vendas estão lentas ainda. Acredito que as pessoas estejam apenas para olhar ou ainda aprendendo sobre arte indiana", afirma Suruchi Chona, que trabalha na galeria Vadehra Art, de Nova Délhi e Londres. No estande em questão, em que Suruchi destaca as aquarelas de Atul Dodiya, as obras variam de sete mil euros a 100 mil euros. "Uma peça foi vendida, mas para um grande colecionador indiano que tem um museu na Índia!, conta ainda Suruchi. Segundo a galerista indiana Ranjana Steinruecke, de Bombai, mesmo assim é uma atmosfera boa para a ainda desconhecida arte indiana (é mais conhecida nos EUA e em Londres e Berlim, por exemplo). Ranjana destaca em seu estande a pintura de Kanish Karaja, avaliada em 24,5 mil euros. O artista, nascido em Calcutá, mas como formação nos EUA, onde vive, já é nome famoso, o que revela uma característica forte da arte indiana, a de que muitos dos criadores com mais renome sejam justamente os que saíram de seu país, indo para o Ocidente. "O boom de galerias começou na Índia há cinco anos. Esse panorama Índia na Arco, com apenas 13 galerias, não poderia ser diferente porque ainda temos poucas por lá. Está muito bom", opina Ranjana sobre a exposição principal da feira, com obras de 42 artistas de 13 galerias indianas. O Panorama Índia, decepcionante, foi feito a partir dos artistas selecionados pelo curador e artista Bose Krishnamachari, que, como afirmou, optou por escolher os criadores ultra jovens de seu país, na faixa dos 30 anos.  A repórter viajou a convite do Centro Oficial de Turismo Espanhol, ARCO 2009 e Iberia - Líneas Aéreas de España.

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