Arte brasileira será levada à China

Depois da mostra de arte russa, queserá inaugurada no domingo para convidados e terça para opúblico, a Oca, no Ibirapuera, voltará a ser sede de ummegaevento com os olhares voltados para as riquezas do Oriente:em outubro, uma exposição vai reunir tesouros da China, comdestaque para os cavaleiros e os cavalos do Exército deterracota realizados no século 2.º a.C. pelo primeiro imperadorchinês. Se o valor arqueológico da exposição é indiscutível,também é importante ressaltar a importância artística dessaspeças, elaboradas de maneira primorosa, com um detalhismoimpressionante. Cada um desses enormes soldados (eles têmaproximadamente 1,92 m de altura, sendo um pouco maiores do queos homens de verdade) tem expressão e personalidade,distinguindo-se dos demais. Os artistas eram proibidos deassinar as obras, mas o fizeram escondido, no interior dasesculturas. As expressões são tranqüilas, sem rasgos de emoção.Essa busca da harmonia tem relação com o fato de o imperador Qinser um árduo defensor do taoísmo, tendo perseguido duramente osadeptos do confucionismo. Isso também explica o desagrado dos chineses com nossaemotiva arte barroca, que, segundo os organizadores da mostra,não teria agradado muito os curadores chineses durante asdiscussões sobre o que seria levado à China na exposição de artebrasileira que será realizada na entrada da Cidade Proibida.Eles teriam ficado mal impressionados com as expressões desofrimento no rosto das imagens. Consta que os primeiroscatequisadores tiveram dificuldade em introduzir a imagem deJesus na cruz e acabaram usando a figura de Nossa Senhora. Os mais de cem objetos selecionados, em meio ao acervode milhares de peças do Museu Imperial da China, também prometemdeslumbrar os visitantes. Infelizmente, a seleção foi restritaàs peças pertencentes à última dinastia a governar os chineses.Mas, mesmo assim, o diretor do museu, Zhu Chengu, em visita aoBrasil, promete trazer ao País uma mostra relevante da arteproduzida sob o reinado dos Qing e capaz de afirmar - de maneiradeslumbrante e enfática - a importância da Cidade Proibida. Sóos números relacionados ao conjunto de palácios erguidos nocentro de Pequim assustam. São um milhão de objetos,720 mil m²quadrados, que ocupam 10 mil cômodos. Na verdade, são 9.999,5cômodos, explica o jornalista Jaime Martins, que foicorrespondente na China por quase 20 anos e que assessora aBrasilConects neste evento. Isso porque, para os chineses, onúmero 10 mil remete a uma idéia celestial e só é possível noparaíso. A solução foi fazer um quartinho pequeno e sem telhadopara não concorrer com o divino. Além do grande impacto cultural e artístico, essasexposições podem ter um importante papel de aproximaçãocomercial entre o Brasil e o gigante asiático e é resultado deum protocolo de colaboração entre os dois países. Aproximar-seda China é uma questão vital para qualquer nação, afirma Martins usando alguns dados para embasar essa afirmação: 70% das gruase guindastes do mundo estão trabalhando na China - 40% em Xangai que espera em 2010 sediar a Exposição Internacional e esperareceber 75 milhões de turistas. Outro dado interessante, o deque nossas exportações de açúcar para a China cresceram 1.000%em 2001, confirma que o Brasil aparentemente já descobriu isso.

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