Arte barroca foi vedete da gestão FHC

Um dos maiores esforços declaradosda gestão Fernando Henrique Cardoso na esfera cultural - esforçoque uniu diversos ministérios, como o das Relações Exteriores,do Desenvolvimento e da Cultura - foi promoverinternacionalmente outros produtos de exportação que não fossemo carnaval, o futebol e as mulatas. Lutar contra o estereótipocom armas de bom gosto."A cultura é uma boa forma de divulgar o País noexterior, porque sempre recebe boa acolhida, sempre há grandeexpectativa em relação a esse produto brasileiro", afirmou oministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior,embaixador Sergio Amaral.Por conta dessa conclusão, o governo brasileiro apoiounos últimos anos - com vultosos recursos e mesmo se envolvendodiretamente na organização - eventos de artes no Exterior. Duasdas mais vistosas mostras foram a exposição Brésil Baroque,no Petit Palais de Paris (2000), e Brazil Body and Soul, noGuggenheim de Nova York (2001). Outra iniciativa que foi nosentido oposto ao dos estereótipos foi a exposição do Brasil emHannover, na Alemanha, em 2000, com curadoria de Bia Lessa.Esses três eventos realçaram a obsessão do governo com aarte barroca brasileira, tida como uma obra produzida com aautêntica originalidade nacional - a arte sacra erudita européiateria sido "contaminada", nesses objetos, com os elementossincréticos do escravo artesão brasileiro e do sertanejo.Mas a contrapartida também foi ambiciosa. Com subsídiosdo governo federal, realizaram-se algumas das mais portentosasexposições internacionais no País. Na segunda metade dos anos 90, a Pinacoteca recebeu a mostra do escultor Rodin e o Maspabrigou Monet. Depois, vieram Bourdelle, Camille Claudel,Michelangelo, Basquiat, Picasso.Até 1997, com o Plano Real a todo vapor, o Brasil viveuuma era de euforia museológica, mas a realidade veio depois, eos investimentos minguaram. Mas os efeitos daquela onda aindapodem ser sentidos hoje. Por exemplo: foi a paixão instantâneaque o escultor Auguste Rodin despertou nos brasileiros que levouo Museu Rodin, de Paris, a anunciar a abertura de ummuseu-franquia em Salvador.O Brasil serviu cachaça no vernissage da exposiçãoBody and Soul, no Guggenheim. Serviu champanhe naretrospectiva de Lasar Segall, Nouveaux Mondes, em Paris,festa capitaneada pelo embaixador Marcos Azambuja, em 2000. Foium grande anfitrião, mas enquanto o dólar estava a R$ 1,25.

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