Arrabal e Thomas divergem sobre teatro

Ambos passaram por Curso de Altos Estudos Fronteiras do Pensamento Copesul Braskem trocando farpas

Elder Ogliari, de O Estado de S. Paulo,

13 de maio de 2008 | 21h45

O escritor e dramaturgo espanhol Fernando Arrabal, 75 anos, e o diretor e dramaturgo brasileiro Gerald Thomas, 54 anos, passaram pelas atividades do Curso de Altos Estudos Fronteiras do Pensamento Copesul Braskem divergindo e trocando farpas, na segunda-feira, 12, em Porto Alegre.   Enquanto Arrabal acredita num renascimento, Thomas proclamou que o teatro não tem mais qualquer importância. Em suas declarações, os dois também demonstraram estar em disputa para saber que foi mais próximo do autor irlandês Samuel Beckett (1906-1989). O desentendimento ocorreu num jantar, no domingo, 11, à noite, e prosseguiu durante a entrevista coletiva, na segunda-feira à tarde, e na conferência, à noite, feitas em separado.   Ao encerrar sua conversa com os jornalistas, Arrabal disse não conhecer Thomas. Ao chegar, Thomas considerou "engraçado" dar seqüência à entrevista do "anão" que estava na sala, a quem qualificou de "homem de uma peça só". Para Arrabal, o teatro do mundo pós-moderno "é tão renascentista que está se levantando das catacumbas e age sem a repercussão da mídia". Para Thomas, o teatro virou apenas o entretenimento de uma pequena burguesia e nada mais. "Fazemos alguns seres que têm dinheiro rir ou chorar e acabou", afirmou.   Ao falar de seu passado, o espanhol, autor de dezenas de peças teatrais, poesias e ensaios e diretor de sete filmes, mostrou-se orgulhoso por ter participado, com seu "talento louco", dos três avatares da modernidade, o grupo surrealista, o Movimento Pânico e a patafísica. Também citou a carta que Beckett escreveu aos juízes espanhóis para defendê-lo, afirmando que "não se pode prender um poeta", quando estava no cárcere da ditadura de Francisco Franco. Para o futuro, anunciou que está escrevendo um monólogo sobre desterros para a atriz brasileira Marieta Severo interpretar.   Gerald Thomas, que foi colaborador de Beckett no início dos anos 80 e de quem dirigiu 19 peças, admitiu, ironicamente, ter ciúme por Arrabal ter convivido com o dramaturgo irlandês. Mas também acusou o espanhol de ter ciúme da sua relação com Becket. Como está engajado na campanha de Barack Obama para a presidência dos Estados Unidos, inclusive escrevendo discursos para o pré-candidato, Thomas admitiu que se for convocado a ajudar, depois da convenção dos democratas, em agosto, dedicará tempo integral à eleição norte-americana, indicando que poderá suspender os projetos teatrais que está montando em Londres, Nova York, Munique e São Paulo. "Isso tem a ver com o fato de que eu acho que posso fazer uma diferença como eleitor e ser humano", ressaltou. "O que eu não posso deixar é que os republicanos vençam mais uma vez". Apesar do entusiasmo com a campanha norte-americana, Thomas esquivou-se de estender comentários ao continente. "Não sei nada sobre a política latino-americana, sou idiota total", desculpou-se.

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