Arquiteturas solidárias

Consagrada fotógrafa alemã, Candida Höfer faz primeira mostra individual no Brasil

CAMILA MOLINA, O Estado de S.Paulo

25 de novembro de 2012 | 02h14

Na década de 1970, quando a fotógrafa alemã Candida Höfer era estudante da Kunstacademie de Düsseldorf, ela desenvolveu uma série sobre os imigrantes turcos na Alemanha. "É o oposto do que faço agora", diz a artista, que nos últimos anos resolveu se dedicar a fotografar espaços públicos destituídos de pessoas.

Interiores vazios de palácios, teatros, museus ou bibliotecas são para Candida Höfer o motivo "ideal" de uma fotografia que se baseia apenas na luz e na arquitetura. Sua estética, que se relaciona com a de criadores de sua geração, formada por Andreas Gursky, Thomas Ruff e Thomas Struth, é da precisão e da grande escala, características que a fizeram tornar-se das mais consagradas - e valorizadas - da fotografia contemporânea. Nascida em 1944, Candida, esteve esta semana em São Paulo para inaugurar sua primeira individual no Brasil, Luz, Linhas, Lugares, na Galeria Leme. A mostra reúne obras feitas em Munique, Salvador, Brasília e Rio de Janeiro.

Vemos em sua mostra obras que realizou aqui no País. Poderia falar sobre essa experiência?

Participei de uma exposição coletiva no Rio, com curadoria de Alfons Hug, sobre a relação entre o barroco e o Brasil. Mas já naquela ocasião eu perguntei se poderia fazer umas fotografias não apenas sobre o barroco, em edifícios projetados por Niemeyer, porque gosto muito de sua arquitetura. Fiz, por exemplo, fotos no prédio da Bienal, que estava vazio e com suas colunas cobertas por papel. o que achei muito interessante.

A sra. poderia falar mais sobre seu interesse pela arquitetura de Oscar Niemeyer?

Estive agora no Auditório do Ibirapuera. Estava com uma câmera de pequeno formato e fiquei impressionada com o interior do prédio. Pedi que abrissem a parte do palco que dá para o parque, achei muito boa a luz que veio do jardim. Gosto quando você entra nos edifícios projetados por ele e tem uma relação direta com a luz. Os prédios de Niemeyer são muito luminosos e suas rampas promovem uma relação muito dinâmica com o espaço arquitetônico. Ele é muito famoso, acredito que uma referência para a jovem geração. Gosto também de Paulo Mendes da Rocha, que fez essa galeria (Leme). Mesmo a reforma que realizou na Pinacoteca é um trabalho muito bom.

Por que fotografar espaços públicos vazios de pessoas? E qual o motivo de exibir imagens em grande formato?

Quando entro em edifícios e eles estão vazios, acho o espaço mais visível. Já o grande formato, é no meu caso, é a maneira que posso promover uma experiência do espectador com meu trabalho, mais íntima ou não. No começo, trabalhava com uma câmera de pequeno formato e seus negativos eram muito pequenos. Então troquei o tamanho do negativo para um maior, para fazer fotografias de uma escala maior. Mas hoje faço os dois tipos de obras.

O que a sra. pensa do atual boom do mercado de fotografia?

Não penso nessa questão. Faço fotografia há muito tempo, e quando comecei, a fotografia, especialmente, no mercado de arte, não era interessante. Foi importante começar nesse contexto. Hoje, quando vou a exposições e feiras, vejo um equilíbrio entre a fotografia e outras bras, o que é bom. Estive na (30.ª) Bienal de São Paulo e vi que a fotografia tem uma presença importante na mostra.

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