Arquiteto revela reforma da "Casa dos Artistas"

Homem de confiança de Silvio Santoshá 17 anos, Joel Abrão foi responsável por todo planejamentoarquitetônico das duas edições do Casa dos Artistas, desde aconcepção do projeto no papel até os detalhes finais dadecoração. Quem conseguiu ficar indiferente ao moderno ofurôcravado no jardim da casa nesta reedição do reality show? Se umacoluna de gesso ou uma pequena agulha estão lá, é porque oarquiteto quis assim.No ano passado, Silvio convocou Abrão para lançar-lhe umdesafio profissional: adaptar uma casa para acomodar 12 pessoas,que permaneceriam confinadas por 45 dias ininterruptos evigiadas por câmeras durante 24 horas. A base de seu trabalhoseria uma mansão já construída, vizinha à residência de SS, noMorumbi. "O pessoal do SBT apenas me explicou como funcionariao programa. Eu nunca tinha assistido a um reality show dogênero", comenta o arquiteto.Ele admite que enfrentou algumas dificuldades nodecorrer das obras. "Eu estava muito preocupado, por exemplo,com os espelhos, pois atrás deles ficariam as câmeras",comenta. "Coloquei muitos espelhos e, por isso, osparticipantes reclamavam que viam muito o próprio reflexo."Outro campo desconhecido estava nas atitudes dos integrantes aolongo do programa. "Nós não sabíamos como eles iriam reagir.Depois de 15 dias, eles até esqueciam que estavam sendo vigiadospor câmeras."Abrão conta que não pôde realizar grandes quebradeirasna mansão, pois SS a queria de volta da mesma maneira que antes.As reformas estenderam-se por 35 dias e consumiram R$ 5 milhões."O problema foi que, no dia em que começaríamos as obras, afilha do Silvio Santos foi seqüestrada", revela. "Foi umdesespero: não sabia se me preocupava com o seqüestro ou sedescobririam sobre o programa Casa."Com o Casa dos Artistas 2, Joel Abrão teve maisliberdade de criação. Desta vez, sua missão foi transformar umdos estúdios da emissora (com área total de 1.452 metrosquadrados), localizada na Anhangüera, nas novas instalações doreality show. E agregou novidades: quartos mais amplos, espelhosde corpo inteiro, ofurô e uma banheira redonda. "O projeto foifeito para induzir a convivência das pessoas", explica. Atonalidade de móveis e paredes também foram fruto de avaliações.Cores que pudessem se confundir com a pele, como madeira, foramdispensadas. Ele privilegiou os tons pastel, gelo e laranja. Ototal da obra foi orçada em cerca de R$ 8 milhões.No início da carreira, o arquiteto chegou a trabalhardurante um ano como cenógrafo do SBT. Com a carreira consolidada, foi autor da reforma da residência de SS no Morumbi e do seuescritório, no Ibirapuera; do Teatro Imprensa; e idealizou osestúdios do SBT na Anhangüera, entre outros projetos para aemissora. Atualmente, está envolvido com a construção de umhotel seis-estrelas de SS, no Guarujá, e da nova sede do SBT noRio.

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