Arquiteto britânico Richard Rogers ganha Prêmio Pritzker

O arquiteto modernista britânico Richard Rogers ganhou na quarta-feira o mais importante prêmio da arquitetura mundial, o Pritzker. O mesmo prêmio já foi conquistado pelos brasileiros Paulo Mendes da Rocha, no ano passado, e por Oscar Niemeyer, em 1988. Entre os principais trabalhos de Rogers está o Centro Pompidou, em Paris, inaugurado em meio a vaias que colocaram sua carreira em risco. Mais tarde, o espaço público tornou-se altamente popular. Rogers, de 73 anos, cujas obras mais importantes também incluem a sede do Lloyd´s de Londres, na City, e o Terminal 4 do aeroporto de Barajas em Madri, vai receber o prêmio de 100 mil dólares pelo conjunto de sua obra numa cerimônia que ocorrerá em 4 de junho, dentro de um monumento da arquitetura britânica - a Banqueting House, erguida em 1619 por Inigo Jones. Defensor da vida urbana Ao anunciar a escolha de Rogers, Thomas Pritzker, presidente da Fundação Hyatt, americana, disse: "Richard Rogers é defensor da vida urbana e acredita no potencial da cidade como catalisadora de transformações sociais". O presidente do júri do Pritzker, Lorde Palumbo, descreveu Rogers como não apenas mestre da grande construção urbana, mas também criador de sua espécie própria de expressionismo arquitetônico. Lorde Palumbo disse que o Centro Pompidou, uma obra high-tech projetada por Rogers em parceria com Renzo Piano e completada em 1977, revolucionou os museus, convertendo-os de monumentos elitistas em espaços populares de intercâmbios sociais e culturais. Em entrevista à Reuters, Rogers disse que ele e Piano criaram o que o público batizou de "palácio da diversão", a pouca distância a pé do Louvre e da catedral de Notre Dame. O museu modernista de 92.900 metros quadrados que eles criaram chocou Paris ao colocar toda a parte funcional do prédio do lado de fora, na rua, para que todos a vejam - incluindo elevadores "externos" encerrados dentro de um tubo de plástico. Mudaram de idéia Foi um espaço público singular que era ao mesmo tempo museu de arte moderna, biblioteca, centro de música e design e ainda local que abriga inúmeras lojas. Depois de rejeitá-lo num primeiro momento, o público francês mudou de idéia e passou a lotar o local, que hoje recebe 7 milhões de visitantes por ano. "Antes de projetar o centro, eu tinha construído algumas casas. Renzo e eu entramos na disputa para construir o centro porque achamos que dois desempregados se divertiriam mais que um só." "Foi como passar de escrever um folheto para escrever mil páginas de uma obra clássica. Os franceses foram intransigentes, e a imprensa estrangeira, com a exceção de um crítico, odiou o projeto", disse Rogers. "Nosso conceito era que o prédio teria que ser legível - que o público poderia ´ler´ como a estrutura apóia a construção, como as colunas se encaixam, por onde passam as fiações. Queríamos leveza, flexibilidade e um senso de espaço. Queríamos um espaço para todas as pessoas, de todas as religiões e idades." Depois de passar dois anos sem trabalho, após a inauguração do centro, Roger venceu a concorrência para erguer o novo Lloyd´s em Londres, transformando o projeto em uma de suas obras-primas, que iria lhe render mais trabalhos. Arranhar o céu "Hoje podemos selecionar nossos trabalhos, mas levei mais ou menos 50 anos para chegar aqui", ele contou. Entre os projetos em que Rogers está trabalhando no momento está a Torre 3 do World Trade Center, em Nova York. "Acredito que arranha-céus devem arranhar o céu, então quero fazer a torre erguer-se muito alto e parecer o mais fina possível, tanto que vamos fazer os cantos do edifício de vidro." Ele também está redesenhando o Centro de Convenções Javits, no bairro nova-iorquino de Hell´s Kitchen, uma área pobre que margeia o rio Hudson. Parte de sua idéia consiste em revitalizar o bairro, função que, para Rogers, faz parte da arquitetura moderna.

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