Arnaldo e Edgard costurados pelo Mali

Um disco entre Arnaldo Antunes e Edgard Scandurra, pensando bem, era questão de tempo. As duas cabeças que melhor souberam lidar com o passar dos anos 80 sempre falaram a mesma língua. Arnaldo nos Titãs, Edgard no Ira!, ambos trabalhavam em um registro de criação que tirava o ouvinte da zona de conforto e dos padrões mais conservadores do rock and roll. Arnaldo e Edgard, que já andam fazendo shows pelo Brasil e que gravaram juntos no projeto Pequeno Cidadão, têm agora um álbum registrado no Mali. A Curva da Cintura sai em CD e DVD e tem como presença fundamental para que as coisas ganhassem foco o malinense tocador e fabricante de kora (uma espécie de harpa africana) Toumani Diabaté.

JULIO MARIA, O Estado de S.Paulo

26 de novembro de 2011 | 03h07

O disco, no entanto, soa mais Arnaldo Antunes que os outros dois. São as canções e o concretismo do titã que costura tudo. Edgard traz uma guitarra flutuante, sem explosões, bem colocada em solos e riffs que dialogam com as escalas africanas de Diabaté e de seu filho, o impressionante músico também de kora Sidiki Diabaté, de 20 anos. Sidiki tem a energia e a agilidade de um Yamandú Costa nas cordas de seu instrumento. As canções de Arnaldo, lindas como A Curva da Cintura e Cê Sabe Como É, ganham na kora os ares de África. Tudo muito acústico e respeitando quase sempre um mesmo formato de voz entrecortada por solos. É sensível e um projeto vitorioso (Toumani diz que nenhum brasileiro havia gravado ainda em um estúdio do Mali, como eles fizeram). Mas chega um momento em que o ouvido quer mais. E só não dá para entender porque Edgard e Arnaldo não foram além da kora, já que estavam em um país tão cheio de possibilidades.

A. ANTUNES, E. SCANDURRA E

T. DIABATÉ

A CURVA DA CINTURA

MTV Preço: R$ 29,90

BOM

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