Arlete Salles, atriz marcada para fazer humor

Aos 65 anos, Arlete Salles rouba a cena das figuras principais no humorístico ‘Toma Lá Dá Cá’

Bruna Fioreti, do Jornal da Tarde,

04 de setembro de 2007 | 13h05

Depois de "pôr o pé na jaca", Arlete Salles, 65 anos, ganhou um presente na televisão. A atriz usa o trocadilho para falar da má repercussão do trabalho na última novela das sete, Pé na Jaca, e de sua volta que, tudo leva a crer, tem sido por cima em Toma lá, dá cá, sitcom dirigido pelo amigo Miguel Falabella, que vai ao ar às terças-feiras pela Globo. Na pele da fogosa Copélia, Arlete confessa que temeu ser rejeitada pelo público. A indiscreta avó do seriado se destaca por ser a mais politicamente incorreta de todos os personagens. "Quando uma personagem é muito transgressora como ela, há sempre um receio de que as pessoas não aprovem." Mas quem assiste ao sitcom afirma que a sogra feita por Arlete se destaca justamente por ser exagerada: o figurino, as falas engraçadas e a inconveniência fazem dela uma atração à parte. "Ela é a redenção das mulheres de meia idade", diverte-se a intérprete. "O divertido é que Copélia não se toca da idade, não se enxerga." Já Arlete se enxerga até mais do que deveria. De uns anos para cá evita se olhar na telinha. Começa a achar defeitos no rosto, no cabelo, em tudo. "Não me vejo para não chegar ao estúdio derrotada", exagera. Vaidosa, Arlete conta que a TV envelhece qualquer pessoa pelo menos dez anos. "É muito cruel." Daí o impulso dela e de outras atrizes em lutar contra o tempo. "Já fiz algumas cirurgias plásticas, mas com muito critério", desconversa. Ela se cuida. A atriz faz exercícios físicos, se alimenta bem, namora. "Não tanto quanto Copélia, mas namoro. Tenho um ‘namorido’." Hoje, Arlete mora sozinha, no Rio. Namora há sete anos e não quer se casar oficialmente nem morar com o parceiro. Tem dois filhos e dois netos, e não se imagina sem eles. "Na minha casa, meus netos têm total liberdade, não acredito nessa coisa de que ser avó é ser mãe duas vezes. É outra coisa. " No trabalho, Arlete faz o estilo pé no chão. Diz que as más experiências também ensinam, referindo-se a Pé na Jaca, novela que fechou com média geral de 29 pontos no Ibope, bem abaixo dos índices das novelas anteriores. Substituiu Nair Bello no papel de Dona Gioconda e, para o folhetim, é econômica nos elogios. "Gostava da fotografia da novela. Eu usava um cabelo Chanel, terninhos, tudo muito clean, então até que ficava bom."  O figurino de Copélia é o oposto: cabelos armados, boca colorida, roupas escandalosas e até indecentes. A diferença é que Arlete adora fazer Toma lá, dá cá. O sitcom começou bem na audiência, com 31 pontos no Ibope, oito pontos a mais que A Diarista. A média vem se mantendo em 26 pontos. Sua luta agora é pela manutenção da grade.  De sua parte, Arlete Salles está comprometida em levantar o humorístico. "A audiência é boa, o público gosta e a participação fixa traz a responsabilidade com a audiência e a fixação do programa na grade." Sua tarefa: ser a mais indiscreta possível como Copélia. Isso a artista sabe fazer. O humor vem perseguindo a atriz em sua carreira dentro e fora da TV. "Devo inspirar isso aos autores, há uma identificação minha com a comédia." Provocar riso, diz ela, é mais difícil que fazer drama. "A comédia tem o tempo certo dela, e não do artista. E isso é um desafio." Arlete não é de drama mesmo. Assertiva e impaciente, diz não ter uma trajetória triste até a fama. Sua única dificuldade foi lidar com o sotaque. O acento de pernambucana não podia transparecer na maioria das personagens. Quando pôde, apareceu. Foi com Carmosina, em Tieta (1989), coincidentemente, sua personagem mais lembrada. 'A Copélia (de Toma Lá Dá Cá) é a redenção das mulheres de meia idade... O divertido é que ela não se enxerga", diz Arlete Salles, sobre sua personagem.  

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