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Arismar lança novo CD em São Paulo

Músico apresenta show do álbum 'Alegria nos Dedos' hoje no palco do Sesc Consolação

LAURO LISBOA GARCIA, ESPECIAL PARA O ESTADO,

23 de abril de 2012 | 03h06

Guitarra, baixo, violão, bateria, piano. Quem ouve e vê Arismar do Espírito Santo tocar qualquer um desses instrumentos nota que tudo que ecoa de seu dedilhado tem o toque do prazer. É assim que ele consegue "tocar as pessoas", replicando essa sensação de leveza de quem produz melhor "brincando em serviço". Daí a adequação do título de seu novo e cativante álbum, Alegria nos Dedos (Maritaca), que tem show de lançamento hoje no Sesc Consolação.

No CD, Arismar toca todos os instrumentos citados acima, sozinho em diversos dos 15 temas, e conta em outros com convidados do mesmo nível de excelência, como Dominguinhos (acordeom em Debaixo do Cajueiro), Vinicius Dorin (sax alto em Turmalina e Vidão), Léa Freire (flauta em Mais Querida e Valsa Curitibana), Thiago Espírito Santo (guitarra em Alegria nos Dedos e baixo em Santos x Corinthians), Serginho Coelho (trombone em Marjoriana), Bia Goes (voz em Água da Serra) e Daniel d'Alcântara (trompete em Gafifa).

"Alegria nos dedos é uma expressão que eu ouvia quando era moleque em Santos, e significa que o cara está em dia com o instrumento, tocando bem, com felicidade e sentimento", diz o multi-instrumentista.

Significa também, para quem ouve, que o músico toca com vontade de se fazer compreendido, com fluência e leveza, em vez de partir para o exibicionismo de virtuose, embora sem abrir mão da elaboração. Aos 20 anos "enfiava 500 notas num compasso". Aos 55, vai na essência e ao mesmo tempo em que se diverte faz o público se integrar a essa diversão.

"Em nenhum momento pensei em ser virtuose. Tento levar para o palco o que faço em casa. Esse disco inteiro foi feito assim desde o início, sério, harmônico e prazeroso. Sempre que vou tocar guitarra imagino o baixo junto. Faço uma levada para que o cara que for tocar comigo se dê bem também", diz. Para ele, o mais importante é "tocar pro som": "Não importa se é choro, valsa ou rock'n'roll. Tem uma frase que não sei de quem é, mas acho linda: 'o importante é tocar as pessoas'. O instrumento é só um meio de conseguir isso."

A sonoridade do disco é encorpada e essencial, com "improvisos melódicos, combinações coloridas e simplicidade", às vezes com apenas dois instrumentos por faixa, como em Boa Viagem (dois violões, de 7 e 12 cordas) e La Isla (violão de 7' e baixo fretless). Arismar se expande com desenvoltura por diversos ritmos e estilos, como valsa, blues, xote, samba, choro, jazz, toada. "A licença é tocar de tudo."

Arismar toca todo dia algum instrumento, mas com o mesmo entusiasmo com que fala de compartilhar as ideias de arranjos com os colegas, ensina que é fundamental "se desprender do conhecimento". "Os instrumentos vão deixando você à vontade com a música. Ela tem de fluir."

O ritmo que ele tem ao tocar contrabaixo vem de sua atuação anterior na bateria. "Isto aqui é um filme e nós vamos fazer a trilha", propõe o música ao elaborar certas composições, algumas delas nascidas com participação de seus alunos nas oficinas. Debaixo do Cajueiro, um dos temais mais tocantes do CD, começou a ser feita justamente no ambiente explícito no título, numa brecha do Festival Choro Jazz Jericoacoara, em 2010.

No show de hoje Arismar mostra sua versatilidade nos seis instrumentos que tocou no disco, em roteiro com 11 de suas 15 faixas, além de contar com todos os convidados, exceto Dominguinhos. Cleber Almeida junta-se a eles, tocando bateria e percussão.

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