Ariclê Perez faz aniversário e comemora no palco

Se tem algo que deixa a atriz Ariclê Perez muito feliz é poder festejar seu aniversário em cena. Há 28 anos, ela e Paulo Autran comemoram no palco o aniversário de ambos, durante temporada do espetáculo O Homem de La Mancha. Nesta quinta-feira, a história se repete, mas desta vez com Ariclê atuando sob a direção de Autran. A partir das 16h30, a atriz vai abrir as portas do Teatro Sesc Ipiranga para receber o público e convidá-lo a assistir a Encontro - Espetáculo com Ariclê Perez. A sessão de amanhã é somente para mulheres e seguirá com um chá da tarde.Depois de receber o público, Ariclê, ainda na platéia, diz um texto do filósofo e dramaturgo George Barcat adaptado por ela, dizendo que o teatro exige uma comunhão entre palco e platéia. "Nós, gente de teatro, nascemos para contar histórias; no começo dos tempos nossas histórias falavam dos deuses que criaram o universo e dos perigos e delícias que a vida nos reserva; para isso os primeiros atores vestiram as túnicas dos xamãs, dos profetas, dos sacerdotes e assim fomos mudando de figurino e não de sentido," diz. "E se eu e vocês compartilharmos da mesma emoção, esse momento efêmero pode ser nosso para sempre."Em seguida, a atriz sobe ao palco e dá início ao monólogo, no qual também assina a concepção geral e a iluminação. Selecionados por Paulo Autran, os textos formam um pot-pourri de personagens, como explica Ariclê, que fazem parte da história da dramaturgia universal. "A peça é bastante abrangente e um ótimo exercício para uma atriz", afirma ela, que foi co-dirigida por Regina Galdino.O repertório começa com um trecho "dos sábios e eternos conselhos de Hamlet aos atores" escrito por Shakespeare. "Esse foi o único texto escolhido por mim, pois considero uma oração da justa medida", conta. A seleção continua com o poema Caso do Vestido, de Carlos Drummond de Andrade, e segue com Dança da Morte, de Strindberg, A Louca de Chaillot, de Jean Giraudox, e Casa de Bonecas, escrito em 1879 pelo dramaturgo Henrik Ibsen. "Alguns estudiosos consideram que o teatro moderno nasceu com essa peça, um escândalo na época, no qual a personagem faz um ajuste de contas com o marido", explica Ariclê. "Embora não fosse feminista, ele era defensor dos direitos individuais."Tendo apenas uma cadeira em cena e diversos acessórios do figurino criado por João Santaella Júnior, o espetáculo conta ainda com textos de Anne Frank, Luis Fernando Verissimo, Bertolt Brecht, Friedrich Engels, James Joyce e outro de Autran inspirado em Tennessee Williams. As apresentações ocorrem somente até domingo.Encontro/Espetáculo - Seleção de textos e direção de Paulo Autran. Com Ariclê Perez. Duração: 1 hora. Quinta, às 16h30 (sessão somente para mulheres); sexta e sábado, às 21 horas; domingo, às 20 horas. R$ 12,00. Sesc Ipiranga. Rua Bom Pastor, 822, tel. 3340-2000. Até domingo.

Agencia Estado,

06 de setembro de 2000 | 17h44

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